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Evento reúne organizações para debater a “Comunicação na Era das Causas”

PUBLICADO POR GIFE EM 

As novas configurações da sociedade têm trazido desafios para quem quer não apenas comunicar, mas engajar de fato os cidadãos em torno de propósitos para o bem comum. Para discutir esse ambiente cada vez mais presente, o GIFE, o Instituto Arapyaú, a agência Cause e a Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje) promoveram em São Paulo, no dia 10 de agosto, o evento “Comunicação na Era das Causas”.

Mônica Gregori, sócia da agência Cause – que esteve à frente da elaboração do estudo “O fluxo das causas” – lançado pelo Instituto Arapyaú, comentou que o mundo está vivendo um momento de transição em três frentes: tecnológica, de modelos de desenvolvimento e nas estruturas de poder.

Na primeira, a chegada das novas tecnologias permitiu uma comunicação mais horizontal e em tempo real, trazendo à esfera pública muitas outras vozes. Com isso, muitas barreiras caíram por terra e geraram desequilíbrio de poder, tendo em vista que todos passam a produzir conteúdos. Já a segunda transição ocorre, pois o mundo passa a ser muito mais aberto e colaborativo, o que quebra com estruturas de poder. Neste contexto, inclusive, a transparência passa a ser total. “Como as pessoas têm acesso a todo o tipo de informação e ela é muito mais livre, exige-se das instituições que sejam muito mais íntegras”, ressaltou a especialista.

E, por fim, o terceiro pilar – de transição de modelos de desenvolvimento – aponta para seis grandes tendências que deverão moldar as próximas décadas: mudanças climáticas; alteração da biodiversidade; crescimento da população e da longevidade; maior integração e diferenciação de culturas; avanço da tecnologia; e expansão do conhecimento.

Diante então desta sociedade que se coloca, as pessoas passam a ter, como não poderia deixar de ser, novos valores e comportamentos. Isso exige das instituições que querem comunicar suas causas, novas posturas e atitudes para acompanhar as transformações atuais.

“Por isso, dizemos que a ‘causa’ é quando o propósito da organização se encontra com as demandas da sociedade. Uma causa potente está nesta intersecção”, ressaltou Mônica. Ela destacou que comunicação é articulação e, por isso, as organização devem saber se comunicar com vários universos, a partir de três eixos: convicção, coerência e consistência. A especialista apontou ainda a necessidade das instituições em comunicar o que se faz e fazer o que se comunica. “As vezes é mais importante que a organização faça, mude o jeito de atuar, e depois comunique”, ponderou.

Entre as barreiras ainda existentes da comunicação de causas estão a fragmentação, tendo em vista que cada um dissemina o seu próprio conteúdo, assim como a dispersão e o ruído. Outro ponto trazido pela especialista ao debate é que estas configurações atuais inverteram a lógica da mídia de massa. O que se vê hoje são as massas de mídia – todos produzindo informação. Organizações ainda não estão sabendo lidar com isso. “Se todo mundo está produzindo conteúdo, quem são os editores? Essa é mais uma barreira?”, questionou.

Marcelo Furtado, diretor-executivo do Instituto Arapyaú, lembrou que nas decisões de comunicação, uma organização deve levar em consideração uma série de variáveis, como a criação de metas factíveis; a escolha certa da audiência; a definição do melhor canal disponível para o objetivo que quer alcançar; ter uma linguagem adequada; produzir um conteúdo claro e de qualidade, entre outros aspectos (veja detalhes no estudo).

“É preciso lembrar que os papéis da comunicação de causas são: informar, comunicar e educar. E, para ser inovador neste processo, a instituição deve assumir riscos”, ressaltou.

Durante o encontro, especialistas apresentaram também alguns cases do setor que têm conquistado bons resultados no sentido de engajar novas pessoas para causas a partir de um intenso processo de comunicação. Esse é o caso da Maria Farinha Filmes, produtora que surgiu a partir do Instituto Alana. Ela aposta no audiovisual para contar impactantes e inspiradoras histórias que provoquem transformação.

Eduardo de C. Queiroz, diretor presidente da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, por exemplo, contou como a organização trabalha com a comunicação da causa da “primeira infância”. O processo engloba uma série de ações, que passam por um processo educativo de atores-chave, como o oferecimento de cursos para gestores públicos, resultando na aprovação do Marco Legal da Primeira Infância, assim como na disseminação e aproximação da causa do grande público, feito por meio do filme “O Começo da Vida”.

O evento contou ainda com a presença de Andre Degenszajn, secretário-geral do GIFE; Denis Mizne, diretor-geral da Fundação Lemann; Luiz Lara, fundador e presidente da Lew’Lara, entre outros convidados.

Cause

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