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O APAGÃO AMBIENTAL DO BRASIL


O Governo Federal está sendo convocado a tomar providências urgentes para conter o desmatamento da Amazônia e as violações aos direitos indígenas. No início da semana,
líderes de grandes empresas brasileiras e entidades setoriais enviaram uma carta-manifesto ao vice-presidente da República, Hamilton Mourão, que integra o Conselho Nacional da Amazônia Legal (CNAL). 

Entre os signatários da carta estão empresas que constam na lista dos maiores multados pelo Ibama nos últimos 25 anos por crimes contra a flora, em autuações que somam mais de R$ 95 milhões, como apontou uma reportagem do De Olho nos Ruralistas. Será preciso mais do que afirmar, por escrito, o compromisso com o desenvolvimento sustentável. 

O tema veio à tona no fim de junho, com o ultimato enviado por investidores internacionais que administram fundos bilionários e ameaçaram cortar o financiamento que alimenta setores estratégicos do país, como o agronegócio e a indústria do extrativismo. 

 A NATUREZA NÃO PERDOA

Notícias constantes sobre desmatamento e queimadas desenfreadas, garimpo ilegal, grilagem em reservas ambientais, descompromisso com a demarcação de terras indígenas e desrespeito aos povos da floresta dão a dimensão de como o governo do presidente Jair Bolsonaro lida com questões ambientais. 

Junho, segundo dados do Inpe, registrou o maior número de queimadas dos últimos 13 anos: foram 2.448 focos de incêndio na Região Amazônica, com perda de 829 km² de floresta.

Em artigo no Estadão, o presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam), Carlos Bocuhy, lembra que a gestão do ecossistema amazônico, patrimônio público de uso coletivo, não é opção política, mas dever dos gestores governamentais expresso pela Constituição Federal de 1988.  

“A natureza não perdoa. É preciso acionar o freio da arrumação. É preciso um plano de efetiva intervenção nesta realidade que, para além de limites aceitáveis, já se tornou crônica. É preciso dar um basta na destruição da Amazônia, além de se resgatar os caminhos da sustentabilidade continental e global”, escreveu.

ECONOMIA VERDE NO PÓS-PANDEMIA

Enquanto o governo federal ainda não apresenta medidas efetivas no combate ao desmatamento, um grupo de ex-ministros e ex-presidentes do Banco Central lançará, no próximo dia 14, propostas de recuperação “verde” da economia no pós-pandemia, com diretrizes para uma agenda de investimentos sustentáveis voltada para uma economia de baixo carbono.

Pode ser um indício de que o imenso desafio que se apresenta é também uma oportunidade única de planejar um futuro sustentável para o Brasil. Sobre isso, fica aqui o conselho do líder indígena e um dos maiores pensadores da atualidade, Ailton Krenak, descrito no livreto de bolso Ideias para Adiar o Fim do Mundo (Companhia das Letras, 2019):

“Já caímos em diferentes escalas e em diferentes lugares do mundo. Mas temos muito medo. Sentimos insegurança, uma paranoia da queda porque as outras possibilidades que se abrem exigem implodir essa casa que herdamos, que confortavelmente carregamos em grande estilo, mas passamos o tempo inteiro morrendo de medo. Então, talvez o que a gente tenha de fazer é descobrir um paraquedas. Não eliminar a queda, mas inventar e fabricar milhares de paraquedas coloridos, divertidos, inclusive prazerosos.”

Cause

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