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Eleição nos EUA relembrou um fator básico para uma democracia verdadeiramente representativa

Nos EUA, a diversidade foi um fator histórico nas midterms de 2018 (Crédito: Getty Images)

Nesta semana, os Estados Unidos viveu a sua midterms, eleição que define os nomes que ocuparão os assentos da Câmara e alguns senadores e governadores nos próximos quatro anos.

Depois de uma campanha que engajou várias celebridades tentando motivar as pessoas a irem às urnas (o voto não é obrigatório no país), o resultado foi um congresso mais jovem e mais diverso. Entre os eleitos, a primeira mulher indígena (e gay) no congresso.

Refletindo este quadro, a causa da semana é a Diversidade na Política.

A Câmara terá ainda um número recorde de mulheres — 22% das cadeiras serão ocupadas por elas.

No Colorado, o primeiro governador abertamente gay do país toma posse no próximo ano. Também foi eleita a deputada mais jovem da história dos Estados Unidos, Alexandria Ocasio-Cortez, de 29 anos e mãe porto-riquenha.

O Brasil vai na contra-mão desse movimento.

Dos 513 deputados federais eleitos e reeleitos, 77 são mulheres, o que representa 15% do total da Câmara dos Deputados. Apesar do aumento em relação a 2014, em que 51 mulheres chegaram ao Legislativo Federal, proporcionalmente, o país terá menos mulheres deputadas em 2019 do que Jordânia, Líbia, Rússia, Gabão, Arábia Saudita e Turquia.

Pela legislação eleitoral, os partidos devem lançar no mínimo 30% de candidatas mulheres nas eleições proporcionais – para a Câmara e as assembleias legislativas.

A renovação dos eleitos foi grande. Quase metade dos novos deputados são estreantes em Brasília. Mais isso não significa progressismo e tampouco diversidade.

“Houve uma renovação conservadora. Candidatos de partidos com forte discurso anticorrupção, contra a criminalidade e a favor da defesa de valores morais ‘tradicionais’ estiveram entre os mais bem votados nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, os três maiores colégios eleitorais”, observa o cientista político Oswaldo E. Amaral, professor da Unicamp e diretor do Centro de Estudos e Opinião Pública da mesma instituição, em entrevista.

Já há algumas iniciativas para promover uma maior diversidade nos cargos políticos, como a Campanha de Mulher e a #VOTELGBT. O objetivo? Fazer com que a democracia de fato abarque a população em sua diversidade e complexidade.

Se esse é o método de governo em que o poder emana do povo e para o povo, um congresso e um senado diversos e que se proponham representativos são as ferramentas para que a democracia de fato funcione.

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