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Ela foi a público falar sobre consciência negra – e as reações provam que o Brasil ainda tem muito a aprender sobre isso

Taís Araújo em palestra sobre como criar crianças em um país ácido: atriz aborda o racismo ainda existente no Brasil (Foto: TEDx Talks)

Na última segunda-feira, dia 20, o Brasil celebrou o Dia da Consciência Negra. A data é uma alusão ao aniversário de morte de Zumbi dos Palmares – e tradicionalmente é lembrada por artistas e intelectuais como um chamamento à justiça racial no país.

A cantora Elza Soares, por exemplo, lançou uma nova versão de sua música “A carne”, cuja letra aborda a questão racial, em uma parceria com a judoca campeã olímpica Rafaela Silva. Quem também se manifestou nas redes sociais foi o cantor baiano Gilberto Gil.

Em meio às homenagens, causou polêmica uma série de mensagens que minimiza o problema do racismo no Brasil. É por isso que a causa da semana é a CONSCIÊNCIA NEGRA.

Tudo começou depois da divulgação de um evento do TEDxSaoPaulo em que a atriz Taís Araújo fala sobre as pequenas ações do cotidiano que evidenciam a discriminação contra negros no país.

No domingo, 19, o presidente da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), Laerte Rimoli, compartilhou um post em que ironiza a postura da atriz. Diante da repercussão negativa, na segunda-feira seguinte, ele pediu desculpas.

O secretário municipal de educação do Rio de Janeiro, Cesar Benjamin, foi além e criticou o que chama de “idiotice racial”. Em entrevista ao Estadão Conteúdo, ele atribui a racialização do Brasil a uma imposição do Departamento de Estado dos EUA. Para justificar a resposta, o secretário cita um episódio que envolve a Fundação Ford – uma entidade independente e sem fins lucrativos.

Em nota, o diretor da Fundação Ford no Brasil, Átila Roque, disse lamentar a “ignorância histórica” do secretário.

Manifestações como essa mostram como o Brasil ainda tem muito a avançar no debate sobre igualdade racial. Episódios como o do ator Diogo Cintra, agredido no metrô de São Paulo, mostram como a cor da pele ainda justifica atos de violência gratuitos, sem explicação.

A semana acabou com um fio de esperança: o percentual da população que se declara “preta” na Pnad Contínua do IBGE cresceu 15% em 4 anos. Na interpretação do instituto, o fenômeno pode estar ligado a uma mudança cultural – os negros brasileiros estariam reafirmando sua identidade com mais naturalidade nas pesquisas, o que pressupõe um avanço na questão da visibilidade racial. Se o olhar estiver correto, trata-se de um avanço. Cabe a toda a sociedade aprender a conviver com uma diferença que, no mundo ideal, não deveria ser justificativa para discriminação.

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