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Depois deste encontro, o Brasil saiu menor

A visita do presidente Jair Bolsonaro a Donald Trump, nos Estados Unidos, resultou num grande desencontro entre expectativa e realidade. No discurso oficial, a relação entre os dois países saiu fortalecida. Na prática, o que se viu foi uma série de concessões do governo brasileiro sem contrapartida à altura do lado americano.

Por causa do desequilíbrio no saldo final da visita, a #CausaDaSemana é pela #EquilíbrioNasRelaçõesInternacionais.

Um ponto de negociação entre os governos foi o da Base de Alcântara, no Maranhão, para viabilizar o uso comercial do espaço militar aos americanos.

Os termos do acordo ainda são um mistério, mas, ao que tudo indica, o Brasil não terá acesso à tecnologia usada pelos EUA, apesar de ceder uma localização privilegiada para o lançamento de foguetes e satélites.

Outro ponto controverso foi a suspensão da obrigatoriedade de visto a cidadãos dos EUA, Canadá, Japão e Austrália em visitas ao Brasil. Historicamente, nós aplicamos a regra da reciprocidade – só têm direito a entrar sem visto no Brasil os cidadãos de países que não exigem visto da gente.

Na retórica do presidente, a liberação sem reciprocidade se justifica porque os americanos supostamente não vem ao Brasil em busca de emprego, mas para turismo e negócios.  

Na contramão do Brasil, Trump recentemente endureceu as regras para obtenção de visto americano. No ano passado,12,7% dos vistos pedidos por brasileiros foram negados.

Em resposta a medida de Bolsonaro, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) apresentou um projeto para suspender o decreto. O argumento é que, sem uma contrapartida dos EUA, a ação ofende o princípio da reciprocidade do direito internacional.

Outro ponto que não agradou muito foi a renúncia do Brasil ao tratamento especial da Organização Mundial do Comércio em troca do apoio dos EUA para a nossa entrada na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

Fazer parte do grupo dá sinais de confiança aos investidores, mas o preço pode ser alto demais.

Para o ex-embaixador Rubens Ricupero, ao ceder à agenda dos EUA, o Brasil pode comprar brigas desnecessárias com grandes clientes, como a China – e, no final das contas, diminuir a autonomia do país, que não teria peso de decisão no grupo.

Mas nem tudo foi uma via de mão única. A parceria entre a Polícia Federal e o FBI vai permitir a troca de dados biométricos sobre pessoas investigadas nos dois países.

O saldo final da viagem, para jornalista Miriam Leitão, ficou negativo para o Brasil,  que ofereceu acordos concretos e aceitou promessas abstratas nas negociações. Para Miriam, o resultado foi fruto do “deslumbramento com a grande potência” e deu espaço para que a ideologia fizesse um grande estrago.

Diante do resultado desigual, no entanto, é importante ter em mente que o Brasil não é – e jamais deve se comportar – como coadjuvante no cenário internacional. Diante dos sinais inequívocos de que os EUA estão colocando em prática uma política altamente nacionalista, colocar-se como um aliado crítico do governo de Trump seria o caminho mais adequado para um país como o Brasil, que almeja a ser uma potência global. Apenas ceder não é, definitivamente, o caminho para isso.

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