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COP 25 no Brasil: antes de ser anfitrião, é melhor arrumar a casa

Ministro do Meio Ambiente e Cacique Guarani Kayapó : participação do Brasil levanta questionamentos sobre a agenda nacional de sustentabilidade (Imagem: Divulgação)

Acabou ontem (16) em Bonn, na Alemanha, a Convenção da ONU para o Clima – a COP 23. Entre as principais pautas estavam a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris e a finalização do “livro de regras”, documento que detalha como conter o avanço da temperatura média da Terra a no máximo 2ºC até 2100.

Na última semana, a posição do Brasil em relação às discussões da conferência nos fez eleger o DEBATE SOBRE O CLIMA como a Causa da Semana.

Na terça (14), jovens ativistas da ONG Engajamundo entregaram ao governador do estado do Pará, Simão Jatene, um “prêmio” pela liderança no ranking das emissões de carbono no Brasil. O desmatamento é o principal motivo pelo reconhecimento negativo.

Na quarta (15), o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, anunciou a disponibilidade do Brasil para sediar a COP 25, em 2019. Pelo sistema de rotação estabelecido pela Convenção do Clima da ONU, a cada ano a conferência ocorre em um continente diferente. Daqui a dois anos o evento tem de ser realizado na América Latina.

O aceno de boa vontade foi ofuscado pelo anúncio, ainda na quarta-feira, de que o Brasil ganhou o prêmio “Fóssil do Dia”, concedido pela ONG Climate Action Network aos países que lançam medidas que conflitam com o Acordo de Paris. O motivo: a Medida Provisória 795, que prevê subsídios à indústria de petróleo e gás. A MP já foi aprovada em comissão especial do Congresso e precisa passar pelo plenário.

Em discurso durante a tarde de quinta-feira (16), Sarney Filho afirmou que o Brasil irá cumprir suas metas relacionadas à agenda de diminuição da temperatura do planeta, mas sem comprometer o desenvolvimento econômico e com a abertura de novas oportunidades de negócio.

Mas qual a situação do país em relação às pautas da conferência?

O Brasil aumentou em 9% as emissões de gases causadores do efeito estufa em 2016, e viu crescer o desmatamento na Amazônia.

Na avaliação de Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima, o Brasil está longe de atingir a meta de diminuir, até 2020, 38% do desmatamento em relação a 2005.

Antes de ser anfitrião, portanto, seria mais prudente arrumar a casa.

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