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Causa da Semana parece coisa do século XIX – só que nos dias de hoje

Dose da vacina contra febre amarela: campanhas de vacinação começam em fevereiro (crédito: FolhaPress)

Na última terça-feira (16), Organização Mundial da Saúde decretou que todo o estado de São Paulo é área de risco para a febre amarela.

O estado está em situação de alerta desde o começo do ano. Até esta sexta-feira (19), 11 mortes foram confirmadas pela Secretaria da Saúde paulista. Além disso, 2 pessoas morreram depois de uma reação à vacina.

O episódio paulista repete o surto semelhante ao ocorrido em Minas Gerais há alguns meses. Entre julho de 2016 e junho de 2017, foram 162 óbitos causados pela doença.

Se já existia o risco, a dúvida que surge é: por que não foram tomadas medidas preventivas?

A negligência em combater a doença antes que ela se tornasse um problema gerou debate.

É no mínimo estranho que um vírus que causa epidemias desde o século XIX ainda gere tanto estrago. Por isso, por mais prosaica que possa parecer, a Causa da Semana é a Prevenção de Doenças Tropicais.

Diante de um problema que se repete, a solução tem sido criar mutirões de vacinação pelo país. Além de São Paulo, Bahia e Rio de Janeiro também entrarão em campanha.

Ao todo, serão distribuídas 15 milhões de doses fracionadas — quantidade suficiente para imunizar as pessoas por 8 anos — e 4,7 milhões de doses padrão, que duram para a vida toda.

A Organização Panamericana de Saúde (Opas), braço regional da Organização Mundial da Saúde (OMS), fez um alerta, no último fim de semana, para o número limitado de vacinas. De acordo com a entidade, desde 2016 a América Latina registra o maior número de casos em décadas.

O Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos), ligado à Fiocruz, único fabricante brasileiro, produzirá 48 milhões de unidade da vacina este ano. É pouco, considerando os mais de 76 milhões de habitantes dos estados que estarão em campanha.

O surto expõe uma falha no sistema de saúde pública. Segundo estudo da diretoria de análise de políticas públicas da FGV, a falta de planejamento nas ações de prevenção e a má distribuição dos recursos públicos – sem o foco nas áreas de maior risco – facilitaram o avanço da doença no país.

A curto prazo, não há como remediar o inevitável – as campanhas de vacinação já estão agendadas. Ainda assim, a crise deixa claro que não se trata de um problema apenas da natureza, mas no trato que se dá à saúde pública no país.

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