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Abre-alas de horrores

📷 Marcelo Camargo/Agência Brasil

Na terça-feira, Jair Bolsonaro foi autor, mais uma vez, de uma frase extremamente infeliz. Ao conversar com seus apoiadores, o presidente fez um comentário machista sobre a repórter da Folha de S.Paulo, Patrícia Campos Mello, e repetiu insinuações sexuais mentirosas feitas na CPI das Fake News. Essa não é a primeira vez que algo assim acontece, e, por isso mesmo, fica a sensação de  que seus impropérios, cada vez mais contínuos, parecem ter a intenção de bater algum recorde de mal gosto. 

Pouco mais de um ano depois de sua posse, já acumulasse um altíssimo número de declarações absurdas. Mas, apesar de ser claro que falta-lhe um decoro compatível com o cargo, não seria possível jamais acusá-lo de estelionato eleitoral. Bolsonaro é hoje quem sempre foi.

O ex-deputado federal ganhou manchetes depois de defender a ditadura e dizer a uma deputada que ela “não merecia ser estuprada”. Não satisfeito, depois de assumir a presidência, voltou a defender as torturas dos nossos anos de chumbo e a ofender pessoas que sofreram danos irreparáveis no período, como o presidente da OAB Felipe Santa Cruz, cujo pai é um desaparecido político, e Miriam Leitão, jornalista que sofreu abusos e foi torturada na prisão durante o Regime Militar. 

Apesar de um dos alvos favoritos do presidente ser a imprensa, Bolsonaro não se resume a isso. Para ele, pessoas com HIV “são uma despesa” para o Brasil e os índios estão se tornando seres humanos “iguais a nós”. Declarações como essas vão além da disseminação de notícias falsas e rejeição da ciência. Elas abrem alas para a propagação do ódio e para a redução do diálogo.

O Presidente tem exibido, sem nenhum pudor, uma incapacidade inata para exercer seu cargo. Parece-lhe de um esforço hercúleo atuar com a dignidade e a honra características da posição. Mas voltar atrás nas declarações, o que tem se tornado a regra, vale muito pouco se os impropérios continuam a ser soltos dia após dia e alimentam ainda mais a divisão do país. 

Talvez ele apenas não tenha noção do que está fazendo, mas, infelizmente, pagamos pela entrada de um show de horrores com duração de quatro anos. O que resta é a esperança de que, já que as palavras tem poder, ele resolva em algum momento optar pelo bom senso, ou, pelo menos, manter-se calado.  

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