Um direito básico está no centro de uma polêmica nos EUA – e o Brasil tem muito a aprender com isso

Protesto contra a revogação da reforma Obamacare em Los Angeles: debate sobre saúde agita os EUA (crédito: Getty Images)

O futuro do sistema de saúde gerou intenso debate nos Estados Unidos nesta semana. O motivo é uma proposta feita por senadores republicanos para revogar a reforma conhecida como Obamacare, aprovada no primeiro mandato do ex-presidente Barack Obama.

Segundo estimativas do Escritório Congressista de Orçamento, um órgão independente, cerca de 18 milhões de pessoas ficariam sem cobertura no primeiro ano após a revogação.

O impasse americano joga luz numa questão que também é sensível para o Brasil: o acesso à saúde como um direito universal. Por isso, elegemos o tema como a Causa da Semana.

Por lá, a proposta gerou reações intensas que revelam rachaduras na base republicana. Entre segunda (17) e terça-feira (18), pelo menos cinco senadores do partido se manifestaram contrariando a medida. Alguns disseram que votariam para pelo bloqueio  do início do debate.

Embora seja senso comum que saúde é um direito universal, o que está em jogo nos Estados Unidos é como a derrubada da reforma Obamacare pode abrir a possibilidade de discriminação. O prêmio Nobel de Economia Paul Krugman afirma que a revogação permitiria que os planos se neguem a atender pessoas com problemas de saúde pré-existentes.

O impasse se dá na esteira de uma discussão antiga, que tem como objetivo corrigir um sistema que desperdiça muitos recursos. Algumas estimativas apontam que os Estados Unidos gastam 17% do PIB com saúde, quase o dobro do Reino Unido.

Uma das explicações é que lá, assim como no Brasil, a cultura da medicalização se sobrepõe à da prevenção – o que faz com que as pessoas, entre outras ações, procurem especialistas mesmo quando podem ser atendidas por um médico generalista. Esse pensamento pressiona os custos médicos – o que encarece o acompanhamento e exclui boa parte da população do sistema.

Algumas empresas já se mobilizam para fazer frente a esse movimento, criando mecanismos que favorecem a gratificação por desempenho (em vez de apenas ganhar com a venda de seus remédios). Um exemplo é a suíça Novartis, que defende um modelo de precificação que considera os resultados de seus tratamentos. O modelo leva em conta tanto a percepção de melhora do paciente quanto o índice de economia para o sistema.

O tema é urgente e precisa ser encarado para que mais pessoas possam ter acesso a um direito básico. Nos Estados Unidos, esse é o assunto do momento. No Brasil, ainda precisamos avançar bastante no debate.

Cause

Somos um time multidisciplinar de profissionais das áreas de Administração, Antropologia, Ciência Política, Design, Gestão Pública, Jornalismo, Relações Públicas e Publicidade. Propomos um olhar integrado a partir dessas competências para promover as causas em que acreditamos.