Tortura nunca mais

Um jovem negro de 17 anos foi chicoteado porque furtou uma barra de chocolate. A notícia poderia ser de séculos atrás, mas aconteceu nesta semana – e infelizmente está longe de ser um caso isolado.

O vídeo que mostra a tortura sofrida pelo rapaz circulou pela internet nos últimos dias, gerando revolta em algumas pessoas e aprovação em outras. Mesmo com essa polarização, ganhou o lado do bom senso, com a prisão temporária dos seguranças responsáveis pela brutalidade.

Infelizmente, esse não é um caso raro e não é preciso ir muito longe para ter outros exemplos. No começo deste ano, o segurança de um supermercado no Rio de Janeiro sufocou um jovem até a morte. Em 2017, um adolescente teve a expressão “eu sou ladrão e vacilão” tatuada na testa, depois de supostamente ter tentado furtar uma bicicleta. Em 2014, um menino foi amarrado ao poste e espancado por um grupo de pessoas que decidiu fazer justiça com as próprias mãos

Esses são apenas alguns casos que comprovam que, no país, as vítimas deste tipo de violência possuem cor e endereço preconceituosamente definidos – o que nos remete ao período de escravidão. Curiosamente, o Brasil foi o último país do Ocidente a  abolir a escravatura, e ainda preferimos negar ou mascarar o preconceito racial existente até hoje.

As histórias dos personagens envolvidos em cada um desses casos revelam uma série de vulnerabilidades. Também mostram o fracasso da sociedade em garantir os direitos básicos para seus cidadãos.  

Não podemos nos conformar com os horrores do dia a dia. As soluções existem e devem ser oferecidas por meio de políticas públicas como o combate à impunidade, o fim do abandono escolar, sistemas de cotas, programas de distribuição de renda e outras medidas que contribuam com a redução dos abismos sociais do país. O mínimo para repararmos as dívidas históricas que temos com os negros e outros grupos sociais que construíram e constroem a nossa nação.

Cause

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