Sinal Amarelo

Uma pessoa se suicida no mundo a cada 40 segundos. Os dados, divulgados na última terça-feira, são da Organização Mundial da Saúde (OMS) e superam o número de vítimas de guerra, homicídio e até mesmo câncer de mama. Pela urgência do assunto, elegemos a Prevenção ao Suicídio como nossa #CausadaSemana

Ao olharmos apenas para o Brasil, a situação não melhora. Na verdade, o país vai na contramão da tendência mundial, que tem reduzido os indicadores. Aqui, 800 mil pessoas tiram a própria vida anualmente.

A quantidade tem aumentado principalmente entre o público mais jovem, de 10 a 19 anos. A taxa de suicídios neste grupo aumentou 24% entre 2006 e 2015, segundo levantamento realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Um dos sintomas para esse efeito já vem sendo sentido há anos, com a mensuração do sentimento de felicidade e o declínio do Brasil nas últimas edições do ranking global sobre o tema. Nosso país caiu 16 posições em quatro anos.

A situação é ainda pior para alguns grupos de brasileiros. A taxa de suicídio entre indígenas, por exemplo, é maior do que  o triplo da média nacional. Obviamente, os fatores que influenciam esse cenário vão muito além das questões étnicas e refletem também as catástrofes do país. Quer um exemplo? Depois do crime em Brumadinho, a cidade passou a registrar uma alta da quantidade de pessoas que tiram a própria vida e de prescrição de remédios psiquiátricos.

E se parte do problema se deve à chamada “ditadura da felicidade”, estimulada pelos padrões da sociedade pós-moderna e intensificada nas redes sociais, pelo menos as plataformas parecem estar tentando fazer sua parte para diminuir seus malefícios. O Facebook, por exemplo, já possui uma ferramenta que permite aos usuários emitirem sinais de alerta quando notarem um conteúdo com tendências suicidas. 

O Setembro Amarelo também alcançou o mundo da comunicação institucional . Para falar sobre a Prevenção do Suicídio neste ano, o Centro de Valorização da Vida (CVV) e a farmacêutica Libbs apoiaram a produção de conteúdo para incentivar o diálogo sobre o problema. O vídeo produzido faz parte de uma campanha chamada “Falar de Suicídio”, que compila diversos dados e informações que buscam ajudar as pessoas que estão passando por algum tipo de transtorno ou conhecem alguém em situação semelhante.

No começo do ano, outra organização que tocou no assunto foi a revista Rolling Stone. A publicação desenvolveu um algoritmo capaz de identificar expressões que indicam algum tipo de sintoma de depressão em postagens no Twitter. Depois de uma fase inicial dos conteúdos, uma equipe especializada entra em campo para considerar o contexto no qual as mensagens estão inseridas e, caso se confirme a suspeita, um outro time fica responsável por entrar em contato com o usuário e indicar os serviços do CVV.

É urgente a criação de ambientes em que possamos falar abertamente sobre tudo isso. As doenças mentais são uma questão de saúde pública e não podem ser tratadas como “elefantes na sala”. Segundo a OMS, o suicídio pode ser evitado em cerca de 90% dos casos, se os sinais forem percebidos com antecedência e tratados corretamente. Então, não é aceitável que percamos tantas vidas para um tabu. A principal barreira da prevenção é o estigma.

Para isso, a conscientização da população é o primeiro passo, aliada à oferta de serviços públicos de saúde. Os transtornos da mente são reais e não estão ligados à falta de força, caráter ou moral. É preciso desfazer os mitos e fazer com que se entenda, de uma vez por todas, que falar sobre o assunto, por mais assustador que pareça, vai ser sempre a melhor solução.

Cause

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