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Sem lugar seguro

A violência contra a mulher não é novidade no Brasil, infelizmente. Mas talvez, nesta semana, ainda que ela tenha começado com comentários ofensivos direcionados à primeira-dama da França, podemos vislumbrar um caminho para mudança, que vem pela união da força de várias organizações.

O tema é urgente e muitas vezes jogado para debaixo do tapete. Por isso, elegemos o Combate à Violência Contra a Mulher como a #CausaDaSemana. 

No Brasil, elas são 67% das vítimas de agressão física. É o que mostra o Mapa da Violência de Gênero, lançado recentemente pela organização Gênero e Número. Novos dados retratam uma velha realidade: não há lugar seguro para as mulheres no país.

Mas se a agressividade está longe de ser eliminada, pelo menos a voz feminina parece ressoar com mais força atualmente, a ponto de abalar algumas estruturas tradicionais. Na tarde de ontem, a Avon reuniu mais de 100 CEOs de empresas como Magazine Luiza, Google, IBM e Mary Kay para oficializar o início de uma Coalizão Empresarial pelo Fim da Violência contra as Mulheres.

A ideia de se tornarem uma força nessa luta surgiu no momento em que as lideranças dessas empresas se deram conta de que mulheres violentadas também fazem parte do mercado de trabalho e, muito provavelmente, integram suas organizações. Segundo o Instituto Avon, uma em cada cinco faltas de mulheres ao serviço no mundo está relacionada a agressões no ambiente doméstico.

Uma prova de que, como disse o Nobel da Paz Denis Mukwege, médico que se dedica ao tratamento de vítimas de abuso sexual, a causa da “Violência contra mulher está em estado latente na sociedade”.

Coincidência ou não, dois fatos tornaram a assinatura do compromisso mais simbólica. O primeiro deles é a realização do evento no Dia Nacional da Visibilidade Lésbica, que tem o objetivo de denunciar as diversas violências psicológicas, simbólicas, físicas e econômicas sofridas por elas. A segunda é ele ter sido feito em agosto, mês em que são promovidas  campanhas sobre a conscientização pelo fim da violência contra a mulher, o chamado “Agosto Lilás”.

O cinema também deixou sua contribuição para a causa. O filme brasileiro, “A Vida Invisível”, do diretor Karim Aïnouz, foi indicado para concorrer a uma vaga de “Melhor Filme Estrangeiro” na próxima edição do Oscar. O longa, ambientado no Rio de Janeiro dos anos 40, conta a história de duas irmãs que têm seus sonhos sufocados pela sociedade extremamente paternalista da época – e que deixa seus resquícios até hoje.

Vale a pena conferir também o documentário “Precisamos Falar Sobre Homens?”, iniciativa da ONU Mulheres Brasil, viabilizado pelo Grupo Boticário, que investiga como se formam e se sustentam os estereótipos de gênero nocivos. 

Com diversas formas e intensidades, a violência contra a mulher tem sido um problema no mundo todo, mas no Brasil gostamos de pensar que ela não existe. Um exemplo disso é a violência psicológica. Apesar de explícita na Lei Maria da Penha, ela continua fazendo 50 mil vítimas por ano no país e não conta com nenhuma medida de punição. Prova de que mesmo sendo maioria no sistema eleitoral e no ensino superior, as mulheres ainda não contam com a igualdade de direitos de forma plena.

Apesar dos vislumbres que tivemos na semana, relatados acima, ainda precisamos trazer as questões de gênero para nossas conversas diárias, rever nossos comportamentos, ideias e estruturas sociais. 

É preciso ampliar o debate e trabalhar a favor da redução da cultura da violência e dos abusos, sejam eles físicos, psicológicos ou morais. Isto só tem início quando nos damos conta de que cada um de nós será parte importante e responsável por essa transformação, que começa em casa, na escola e em outras instituições.

Como disse a escritora nigeriana, Chimamanda Ngozi Adichie, “precisamos criar nossas filhas de uma maneira diferente. Também precisamos criar nossos filhos de uma maneira diferente”.

Cause

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