Purpurina e crítica social dão o tom do Carnaval – mas nem todo mundo está feliz com isso.

Carnaval é tempo de festa, mas também de manifestação política e na última semana não faltaram exemplos dessa combinação. Mas nem todo mundo acabou gostando.

Por conta das tentativas de desqualificar e silenciar o maior evento popular do país, a #CausaDaSemana é pela #ValorizaçãoDeManifestaçõesCulturais.

O discurso politizado não fez distinção: esteve nos bloquinhos de rua e nos grandes desfiles das escolas de samba. Um exemplo disso é a Mangueira, que foi a campeã do Carnaval do Rio de Janeiro fazendo críticas sociais.

Com um enredo que fala sobre a história de índios e negros, a escola também lembrou do assassinato de Marielle Franco, que mobilizou outros desfiles pelo país.

Para a historiadora Heloisa Starling, a campeã do Rio questiona os símbolos que temos como nossas referências ancestrais e ainda toca no nosso desejo de liberdade.

Em São Paulo, o tom não foi muito diferente. A Mancha-Verde, que levou o troféu para casa, falou sobre Aqualtune, avó de Zumbi dos Palmares. A escola aproveitou o gancho para falar de escravidão, direitos de negros e mulheres, e intolerância religiosa.

Nada mais natural, já que seja dos grupos tradicionais da Bahia aos morros cariocas, o samba não é só um simples gênero de música, mas uma forma de expressão das áreas mais carentes nas cidades do país.

Mas em Minas Gerais, nem todos se sentiram tão livres para falar. Um folião caracterizou como censura as recomendações impostas ao seu bloco de rua. A possibilidade de voz de prisão também era clara, mas para a polícia, tudo era uma questão de segurança.

No entanto, isso não foi suficiente para acabar com as críticas políticas, que ocorreram por todo o Brasil. Por falar nisso, a Folha até aproveitou o feriado para mostrar que de Vargas a Bolsonaro, marchinhas florescem com crises políticas.

Já neste artigo, o cientista político Cláudio Gonçalves Couto relembra alguns dos momentos mais transgressores do Carnaval nas últimas décadas.

Desta forma, em uma festa que esteve na avenida para falar sobre representatividade, força da mulher, e reparações históricas, negar a importância ou tentar desqualificar a festa de Carnaval é também se fechar para uma parte importante da cultura de um povo.

Isso mostra, que em festa democrática, os maiores incomodados são sempre aqueles pouco abertos ao contraditório.

Cause

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