Precisamos poder falar

A liberdade de imprensa, um dos pilares da democracia moderna, está sofrendo ameaças.

No último domingo, o candidato à Presidência Jair Bolsonaro  disse estar em “guerra” com a imprensa brasileira e atacou a Folha de S. Paulo, um dos maiores jornais do país, que publicou uma grande denúncia sobre suposto caixa 2 em sua campanha na semana anterior.

A nossa #CausaDaSemana, portanto, é o respeito pela liberdade de imprensa.

Criticando o posicionamento do candidato, o jornalista Eugênio Bucci escreveu em coluna no Estado de S. Paulo: “Nem Benito Mussolini se atreveria a tanto. (…) Mussolini nunca foi um liberal, mas, ao menos durante um tempo, segurava o facho. Tinha alguma educação. Podia até pensar que o primeiro dever da imprensa era elogiá-lo, mas maneirava no discurso. Sabia que a liberdade tinha defensores atentos. E hoje?”,  questiona Bucci.

Enquanto isso, a Folha de S. Paulo entra na justiça: após a reportagem, a jornalista que a assinou recebeu centenas de mensagens ofensivas nas redes sociais e por e-mail — além de duas ligações telefônicas com ameaças.

O diretor-executivo do Datafolha, Mauro Paulino, também foi ameaçado, assim como dois outros jornalistas que apoiaram a denúncia de Caixa 2.

A defesa da liberdade de expressão também é pauta na campanha de Fernando Haddad. A regulação da mídia é proposta antiga do PT. O partido defende, principalmente, o fim da concentração da comunicação brasileira na mão de certos grupos, no que eles chamam de democratização da mídia.

A proposta divide opiniões. O colunista Demétrio Magnoli lembra que o PT pregou durante anos um controle social da mídia e defende que o único controle deve ser o do público.

Já o site Poder 360 trata a proposta de regulação da mídia feita pelo ex-presidente Lula, quanto esse ainda pleiteava a possibilidade de se candidatar para a corrida de 2018 antes de ser preso, como ameaça.

O problema enfrentado pelo Brasil é parte de uma onda global.

Nos Estados Unidos, onde o presidente Trump se coloca rotineiramente contra o trabalho da imprensa, dois de seus principais adversários políticos receberam pacotes na última quarta-feira.

As autoridades acreditavam que eles continham bombas. E o mesmo pacote foi enviado para o prédio nova yorkino da CNN, uma das emissoras mais críticas ao governo federal.

A isso ainda se soma o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi. O saudita desapareceu no dia 2 de outubro e foi visto pela última vez entrando na embaixada de seu país natal na Turquia.

Na semana passada, a imprensa internacional recebeu evidências de que ele foi torturado e assassinado por agentes do governo saudita. Khashoggi era exilado político nos Estados Unidos e escrevia para o jornal The Washington Post, em que criticava constantemente o governo monárquico da Arábia Saudita.

A liberdade de uma imprensa independente e comprometida com a ética jornalística pode não agradar àqueles que temem críticas e têm o que esconder de seus cidadãos. Por isso mesmo, ela deve ser defendida a todo custo. Uma imprensa livre é pilar necessário para que um país possa ser construído sobre edificações fortes. Defendê-la é dever de toda a sociedade.

Cause

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