Planeta atinge o ‘cheque especial’ nesta semana. Por que isso deveria estar na pauta das eleições brasileiras?

Dia da Sobrecarga da Terra: data define o dia em que esgotamos os recursos naturais disponíveis ao longo de um ano (Crédito: iStock)

Quarta-feira (1º) foi o Dia da Sobrecarga da Terra, data em que esgotamos os recursos naturais que o planeta consegue nos oferecer ao longo de 1 ano.

Na prática, isso significa que chegamos ao limite de consumo de árvores, água, solo fértil e peixes, além de termos emitido toda a quantidade de dióxido de carbono que as florestas conseguem absorver.

Por que isso é tão sério? É para responder a isso que elegemos PRESERVAÇÃO DOS NOSSOS RECURSOS NATURAIS como Causa da Semana.

A conta é feita pelo Global Footprint Network (GFN), que mede a pegada ecológica das atividades humanas. De acordo com a organização, até o final de 2018, teremos consumido 1,7 planeta Terra.

A cada ano que passa, esgotamos mais cedo os nossos recursos. Em 1970, qual o cálculo começou a ser realizado, os recursos se esgotaram no dia 29 de dezembro.

Fonte: Nexo

De acordo com Valérie Gramond, da WWF, vinculada ao GFN, desde então, “o esgotamento dos recursos se acelerou pelo consumo excessivo e o desperdício de comida”, explica Gramond. No mundo, um terço dos alimentos acaba na lata de lixo.

Além da contagem global, a organização calcula qual seria o dia da sobrecarga se todos os países se comportassem de acordo com cada nação analisada.

A lógica é: países com áreas pequenas e populações ricas tendem a entrar no “cheque especial” antes. Isso porque contribuem pouco para neutralizar a poluição (já que seus territórios não contam com muitas florestas, por exemplo) ao passo que suas populações consomem muito.

Se a Terra tivesse o padrão de consumo considerando número de habitantes e área do Catar, o meio ambiente entraria no “cheque especial” no dia 9 de fevereiro; se fosse igual ao dos Estados Unidos, em 15 de março; na mesma proporção do Brasil, em 19 de julho. Do lado dos países com melhores resultados, o Vietnã daria como dia da sobrecarga 21 de dezembro.

Mas esse parâmetro é só uma curiosidade. Na vida real, se mantivermos o ritmo atual, até 2030, precisaremos de dois planetas Terra para dar conta da demanda global.

Não faltam organizações dispostas a reverter essa realidade e conscientizar governos e sociedade. Mas, para dar conta de uma questão tão grave, além do importante compromisso individual, precisaremos de políticas sociais econômicas que entendam que nosso consumo, assim como o planeta, não podem ser infinitas.

Em um momento em que discutimos os rumos políticos do país, uma pergunta deveria estar no centro do debate: como o Brasil pretende se posicionar frente à crise ambiental que toma conta do planeta?

Temos capital ambiental suficiente para ser os líderes da discussão global sobre o futuro do planeta. . O país tem a segunda maior cobertura florestal do mundo, quase 12% da água doce do planeta e 20% da biodiversidade conhecida.

É inaceitável que nossos governantes (e aspirantes) não tenham um plano claro para fazer do Brasil o protagonista de um novo modelo de desenvolvimento. O tempo está passando. Qual é o legado que vamos deixar às próximas gerações?

 

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