O saneamento é básico

Acesso à água de qualidade, esgoto tratado, limpeza urbana. Essas, são algumas das premissas básicas presentes na Constituição do nosso país, mas longe da realidade de quase metade dos brasileiros. 

Mais de 100 milhões de pessoas ainda não possuem coleta de esgoto em casa. Cerca de 35 milhões não têm sequer acesso à água tratada. É esse o atual cenário em relação ao  6º objetivo de desenvolvimento sustentável da ONU no país. E, se mantido esse ritmo, o Brasil deve atrasar em 30 anos a meta de saneamento universal.

Sejamos justos, o problema afeta o mundo inteiro. Números apontam que uma em cada três pessoas no mundo não tem acesso à água potável, mas somos, pelo menos, o país que menos parece saber cuidar da própria sorte – até porque possuímos 12% da água doce de todo o planeta

A falta de saneamento básico é um dos maiores gargalos do país. Aproximadamente 35% dos municípios brasileiros já registraram epidemias de dengue, diarreia e verminoses, doenças que estão ligadas à falta de saneamento básico e poderiam ser evitadas.

Os motivos para prestar atenção ao problema também afetam a economia. Doenças como as citadas acima custaram cerca de R$100 milhões de reais ao SUS só em 2017.

O saneamento básico afeta inclusive questões menos óbvias, como a segurança pública, já que regiões que não são devidamente saneadas também sofrem com a escassez de outros serviços públicos.  Mulheres, por exemplo, sofrem mais com a ausência desses serviços por serem obrigadas a realizar caminhadas longas, muitas vezes em lugares pouco iluminados, em busca de água. Um projeto que tentava melhorar a questão na República Centro-Africana foi um dos motivos que renderam um prêmio da ONU a uma brasileira no início deste ano.

Enquanto por aqui as soluções andam a passos lentos, estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que das 718 obras de infraestrutura paralisadas no Brasil, 429 são de saneamento básico. Com isso, a solução fica cada vez mais na mão da juventude.

No mês passado, o projeto Amana Katu, idealizado por estudantes do Pará, conquistou o 2º lugar em uma competição internacional no Vale do Silício. O projeto quer democratizar o acesso à água para populações carentes e usa tecnologia de captação de água da chuva para que isso aconteça.

A preocupação com a poluição da água tem ganhado força no Brasil, mas por que então o descaso? A pergunta está longe de uma única resposta, pois a questão envolve problemas de gestão, falta de integração entre serviços, falta de planejamento e ocupação desordenada da cidade. 

A falta de saneamento básico nada mais é do que um retrato da desigualdade do país e da discrepância em sua distribuição de recursos. Insistir no modelo atual é uma forma de continuar privando muitos brasileiros da dignidade. Há anos ouvimos que o Brasil é o “país do futuro”. O problema é que esse futuro parece, para muitos, ficar cada vez mais distante.

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