No Brasil, a liberdade artística é uma luta a ser vencida

“Is a Feeling”, obra de Cibelle Cavalli Bastos exposta em Porto Alegre: cancelamento de exposição mostra que a liberdade artística ainda é uma luta (crédito: Divulgação)

Na última semana, os limites da arte foram testados no Brasil – de uma forma não muito positiva. A discussão foi em torno da exposição “Queermuseu – Cartografias da diferença na arte brasileira”, no Santander Cultural de Porto Alegre, que foi cancelada no último domingo (10).

A medida foi tomada depois que grupos políticos e religiosos se manifestaram nas redes sociais contra o que consideraram apologia à zoofilia e à pedofilia.

Por acreditar que as manifestações de arte são expressões do nosso tempo que não podem ser lidas fora de um contexto, elegemos a liberdade artística como a Causa da Semana.

Um dia após o cancelamento, dois promotores do Ministério Público do Rio Grande do Sul foram até o Santander Cultural. “Verificamos as obras e não há pedofilia. O que existe são algumas imagens que podem caracterizar cenas de sexo explícito. Do ponto de vista criminal, não vi nada”, disse promotor da Infância e da Juventude de Porto Alegre, Julio Almeida, ao portal G1.

Durante o ato no ArtRio, Juliana Cintra, da galeria Silvia Cintra + Box4, criticou a censura à mostra e defendeu a liberdade artística. Jornais como Folha de S. Paulo, El País e The New York Times publicaram artigos sobre a intolerância contida nas manifestações contrárias à exposição, a forma como o Santander Cultural reagiu e à disputa política que há na discussão em torno da mostra.

Expressões artísticas estão sujeitas à censura em toda parte. No relatório “Art under threat, do Freemuse, foram registradas 1.028 investidas contra expressões artísticas em 2016 em todo o mundo. É mais que o dobro do ano anterior, que contabilizou 469 ataques.

Nas palavras do dramaturgo e ensaísta Bertolt Bretch, conhecido por seu engajamento político, “tiramos a nossa estética, assim como a nossa moralidade, da necessidade de nossa luta.”  A julgar pela polarização empobrecedora que deu o tom da polêmica, é urgente interpretar o pensamento de Brecht como um sinal de alerta: no Brasil, a liberdade de expressão por meio da arte ainda é uma luta a ser vencida.

 

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