Mentira com cara de verdade: combate às notícias falsas é a Causa da Semana

Políticas contra notícias falsas: em nota, Facebook anunciou a exclusão de 196 páginas (Crédito: Reprodução/Facebook)

Na quarta-feira, em um comunicado oficial, o Facebook  anunciou a remoção de 196 páginas e 87 perfis ligados a notícias falsas.

Já falamos por aqui sobre o combate às fake news, mas essa é a primeira grande ação no da empresa no Brasil desde que Mark Zuckerberg anunciou que a rede social adotaria medidas contra essa prática.

Diante de um ano eleitoral e de profundas incertezas, trouxemos de volta o COMBATE ÀS FAKE NEWS para a Causa da Semana.

O Ministério Público Federal (MPF) em Goiás cobrou, em caráter de urgência, explicações do Facebook acerca da remoção de 196 páginas e 87 perfis de sua rede social.

Em nota, a plataforma alegou que a exclusão foi motivada por uma investigação que revelou violações das políticas de autenticidade.

“Essas páginas e perfis faziam parte de uma rede coordenada que se ocultava com o uso de contas falsas no Facebook, e escondia das pessoas a natureza e a origem de seu conteúdo com o propósito de gerar divisão e espalhar desinformação”, diz o texto.

A derrubada coincidiu com uma entrevista coletiva de executivos da plataforma para tratar das ações contra a “desinformação” nas campanhas do México, do Brasil e dos Estados Unidos.

A política do Facebook para lidar com fake news tem sido criticada pela falta de clareza. Em recente entrevista ao site Recode, Zuckerberg afirma que uma coisa é reconhecer que alguns fatos são mentira – e outra é banir quem os repercute na plataforma.  

Em artigo para o The Guardian, o jornalista americano Judd Legum argumenta que a zona cinzenta entre opinião e má intenção não pode servir de salvo-conduto para que o Facebook faça vista grossa para seus usuários.

Para Nelson de Sá, articulista da Folha de S. Paulo, uma das grandes falhas do Facebook é não reconhecer a si próprio como uma mídia, com a justificativa de que serve apenas para “conectar pessoas”.

Na história recente, poucos fenômenos evidenciam tanto a importância da responsabilidade individual quanto a desinformação das redes sociais. Afinal, as fake news ganham vida quando uma pessoa compartilha algo duvidoso com outra – que, por sua vez, a replica.

Mas seria no mínimo inocente imaginar que toda a culpa pelo fenômeno é de gente desinformada. Episódios como o dessa semana mostram como uma rede bem montada de geração de notícias falsas pode alastrar ainda mais o fenômeno organicamente – isso quando não contam com ajuda de robôs.

Para combater um fenômeno global como esse, é preciso reconhecer que os tempos são outros – e que a velha fofoca ganhou novos e destrutivos contornos. Pessoas, empresas e governos – cada um na sua alçada – não podem mais se esquivar dos efeitos da mentira.

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