Menos Ministério do Trabalho, mais Ministério do Bom Senso: fim do ‘toma lá, dá cá’ é a Causa da Semana

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Deputada Cristiane Brasil, do PTB fluminense: condenação na Justiça Trabalhista
(Imagem: Wilson Dias/Agência Brasil)

O Ministério do Bom Senso aparentemente não voltou do recesso de fim de ano.

Nesta semana, o assunto que tomou conta de Brasília foi a batalha jurídica para manter a nomeação da deputada Cristiane Brasil como titular do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Nomeações políticas para ministérios não são exatamente uma novidade. O que chama a atenção, dessa vez, é o fato de Cristiane Brasil não cumprir – justamente – o que o MTE deveria apregoar: o respeito pelas regras trabalhistas.

De acordo com reportagens publicadas logo depois da indicação, a deputada foi condenada em segunda instância a pagar 60 mil reais a um motorista que não tinha carteira assinada. Ela ainda teria pago 14 mil reais a outro motorista num acordo para evitar uma briga judicial.

Nem assim o governo desistiu de Cristiane Brasil – que, aliás, é citada na Operação Lava Jato. Qual a justificativa para isso?

Para refletir sobre os efeitos da troca de favores em Brasília, elegemos o Fim do Toma Lá, Dá Cá como a Causa da Semana.

Na última quarta-feira (10), na última decisão sobre o caso, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região negou o segundo pedido para derrubar uma liminar que barrou a posse da deputada.

Mesmo assim, ministro-chefe da Secretaria de Governo, Carlos Marun, afirmou que a indicação da deputada está mantida. De fato, a notícia da nomeação continua no site do MTE.

Ao assegurar a posição no ministério, a articulação política do governo vislumbra garantir os votos dos 16 deputados do PTB, o partido de Cristiane Brasil, na votação para a reforma da Previdência, prevista para a segunda quinzena de fevereiro.

O PTB é hoje presidido por Roberto Jefferson, ex-deputado condenado no escândalo do mensalão. No início de janeiro, ele se emocionou ao anunciar a nomeação da filha ao MTE.

Embora a discussão sobre a Previdência seja essencial para o Brasil, é inadmissível que uma reforma dessa magnitude seja aprovada às custas da troca de favores que caracteriza Brasília.

Um tema de tamanha relevância merece discussão profunda da sociedade. A maior parte da população pouco entende sobre os impactos da Previdência em nosso dia a dia – e o tema é rodeado por mitos e visões polarizadas.

Reduzir esse debate à lógica do toma lá, dá cá é um desserviço para o Brasil. O Ministério do Trabalho, dessa vez, está no centro de outra discussão – que carece, demais, de bom senso.

Cause

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