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Mais mulheres na ciência

Depois do sequenciamento do genoma do coronavírus, liderado por um grupo de pesquisa majoritariamente feminino, as mulheres deixaram claro, mais uma vez, que podem ocupar o lugar que quiserem, inclusive os considerados “masculinos”.  Mas, para além da capacidade, precisamos regredir algumas casas para começar a discussão: ainda é difícil se perceber como cientista no Brasil. 

Quantas mulheres vem à sua cabeça quando pensamos em cientistas? Uma? Duas? Três? A briga se dá até com os corretores de ortografia, que consideram “pesquisador” o termo correto quando a palavra é escrita no feminino, internalizando o que para a sociedade é tido como “natural”. 

O assunto e suas consequências para a ciência, não à toa, tem chamado a atenção da ONU há mais de duas décadas. Apesar de nos últimos 20 anos a presença de mulheres cientistas ter saltado de 35% para 44%, pelo menos no Brasil,  quando considerado o número de publicações de estudos, o avanço mundial feminino na ciência não só parou, mas está regredindo, segundo especialistas, com o aumento no abismo da diferença de gênero.

Em todo o mundo há somente 28% de pesquisadoras e cientistas mulheres, segundo a Unesco. A consequência aparece em um estudo do Fórum Econômico Mundial: as mulheres ganham um emprego na área das ciências para cada 20 perdidos, enquanto para os homens a conta é de um a cada quatro.

No Brasil, levantamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico (CNPQ) aponta diminuição da presença das mulheres à medida que os estudos avançam. Em 2020, no quadro da organização, as mulheres representam 58% do total de bolsas da iniciação científica (para graduação); em contrapartida, a porcentagem feminina cai para 35% do total de bolsas de Produtividade em Pesquisa, considerada uma das categorias mais altas e com melhor remuneração. 

Os motivos para o afunilamento são muitos. As desigualdades começam ainda na primeira infância, com a falta de incentivo, e não deixam de estar presentes na vida adulta, na escolha ou não da maternidade. Mas o desequilíbrio de gênero custa caro para todos. Um estudo realizado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), mostra que uma maior paridade entre ambos os sexos, considerando todas as áreas, poderia gerar até R$ 382 bilhões na economia, ao longo de oito anos, com aumento da inserção das mulheres no mercado de trabalho.

No entanto, ainda há motivos para ser otimista. O Prêmio Para Mulheres na Ciência, realizado pela Unesco, por exemplo,  é um deles, e contribui há anos com bolsas para jovens pesquisadoras.

O Instituto Meninas na Ciência também é outro destaque.  O projeto é ligado à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e realiza oficinas, palestras e campanhas para reduzir a discriminação de gênero na área científica.

Vale citar também a Agência BORI, que tem a intenção de conectar o conhecimento produzido por cientistas brasileiros à imprensa e já nasceu ligada à causa das mulheres ao ter o nome de uma grande cientista brasileira.

A ciência se constrói a longo prazo, e, para isso, é indispensável a presença de pelo menos três fatores: investimento, colaboração e inclusão. Sem muitas esperanças que o primeiro se resolva tão cedo, cabe a todos nós fazer com que os outros dois fatores possam caminhar juntos, e o primeiro passo é simples: fazer com que as meninas acreditem que a ciência também pode ser composta por elas.

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