Madeira a baixo


A celebração do Dia Mundial do Meio Ambiente, na última quarta-feira, 5, serviu para nos lembrar que tivemos muito pouco a comemorar em relação ao assunto nos últimos tempos.

A última má notícia para a proteção dos recursos naturais foi a aprovação de um Projeto de Lei, pela Câmara dos Deputados, que flexibiliza o Código Florestal. A proposta defende o fim das Reservas Legais, áreas protegidas e que obrigam os proprietários rurais a conservar a vegetação nativa de suas terras.

Diante do aparente desmonte das políticas de proteção ambiental e dos privilégios aos negócios em detrimento do bem-estar do ecossistema, elegemos a PROTEÇÃO DO MEIO AMBIENTE como a #CausaDaSemana.

Para o cientista Paulo Artaxo, a situação crítica do meio ambiente no Brasil está relacionada ao favorecimento dos interesses escusos de algumas empresas.

Isso acontece ao mesmo tempo em que o desmatamento bate recordes no país. Os dados mais recentes, que se referem aos primeiros 15 dias de maio deste ano, são os piores no mês em uma década.

A impressão que permanece é de que em nome de um suposto desenvolvimento, as autoridades escolhem fechar os olhos para os números. O Brasil é o sétimo maior poluidor do planeta, sendo que cerca de 70% de nossas emissões estão ligadas a fatores diretos e indiretos do desmatamento.

O Ibama não ficou de fora das alterações do governo e passou por mudanças em seu modo de fiscalização. Agora o órgão avisa com antecedência onde fará operações contra o desmatamento. Até o ano passado, as informações sobre os locais de fiscalizações eram mantidas em sigilo.

O resultado já pode ser visto: de janeiro a maio deste ano as autuações por desmatamento na Amazônia apresentaram uma queda de 34% em comparação com o mesmo período do ano passado.  É o número mais baixo de multas para esse período em pelo menos 11 anos.

Achou pouco? Também houve mudanças nas regras do Fundo Amazônia, que sobrevive principalmente com verbas da Alemanha e da Noruega. Ambientalistas temem que as transformações possam descontinuar o projeto, afetando secretarias de meio ambiente, como as do Pará e do Acre, cuja maioria dos projetos é financiada pelo Fundo.

Um estudo recente da Rede Amazônica de Informação Ambiental Georreferenciada aponta que 68% das áreas de proteção e indígenas da Amazônia estão ameaçadas sob projetos de infraestrutura, extração de minério e petróleo. Os números só confirmam a sensação que já ronda no ar há tempos: há cada vez menos espaço para preservação no país.

É preciso lembrar às autoridades o que elas parecem ter esquecido: sem meio ambiente não há desenvolvimento econômico possível. Estejamos do lado correto da luta: aquele que entende que a briga aqui não se dá por dois lados antagônicos, mas pela renovação do compromisso do Brasil com a ciência, com a inovação e com o incentivo às soluções sustentáveis para que as gerações futuras não precisem pagar a conta.

Cause

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