Las Vegas é aqui: controle de armas é causa urgente no debate sobre violência no Brasil

Efeitos locais de um debate internacional: flexibilização do Estatuto do Desarmamento gera preocupação de especialistas no Brasil (crédito: Getty Images)

Outubro começou com uma dessas notícias de chocar o mundo. No último domingo (2), um atirador matou 59 pessoas que estavam em um festival de música country em Las Vegas. Foi o mais grave ataque do tipo da história dos Estados Unidos.

O autor do crime, Stephen Paddock, 64, foi encontrado morto pelos policiais no hotel Mandalay Bay, que fica próximo ao local do festival. Em seu quarto, havia 23 armas.

O incidente reacendeu o debate sobre um dilema antigo no país – e que também vale para o Brasil. Foi por isso que elegemos CONTROLE DE ARMAS como a Causa da Semana.    

Três dias depois do ataque, em artigo para o The New York Times, Rosanne Cash, filha do cantor Johnny Cash, defendeu a necessidade de leis mais duras sobre o porte de armas – e convocou artistas a combaterem o lobby armamentista (leia a versão em português).

Aqui no Brasil, essa questão tem pouco avançado. De acordo com análise publicada na Folha de S. Paulo, dos mais de cem projetos de lei relacionados ao controle de armas apresentados no Congresso entre 2011 e 2016, nenhum avançou.

Essa é uma questão social urgente, visto que o Brasil é o nono país com maior índice de homicídios do mundo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, uma das explicações é o fácil acesso às armas.

Por aqui, o que regula o porte é o Estatuto do Desarmamento, que entrou em vigor em 2003. Nos últimos tempos, uma flexibilização da lei vem causando preocupação entre organizações e ativistas que tratam do tema da violência no país. De acordo com eles, a maior circulação de armas de fogo no país está diretamente ligada ao aumento do número de homicídios.

As evidências mostram que é necessário estabelecer leis sensatas, que garantam a segurança da população e ajudem a dar mais transparência à comercialização e porte de armas. Precisamos garantir que tragédias como a de Las Vegas não se repitam mais, a todo instante, pelas ruas do Brasil.

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