Profissão, lobista

Veículo: América Economia

No Brasil, as empresas fogem da pecha de lobistas e buscam se autodefinir não como especializadas em lobby, mas em atividades mais amplas. Como ocorre com a Cause, empresa criada pelos ex-representantes de relações governamentais da Natura, Rodolfo Guttilla e Leandro Machado. Desde o ano passado, eles e mais dois sócios praticam o que chamam de advocacy. “Nessa prática saímos dos gabinetes e integramos outros públicos nas estratégias de convencimento”, afirma Machado, que já foi assessor político de Guilherme Leal, um dos donos da Natura, quando ele se candidatou à vice-presidente da República, na chapa de Marina Silva, em 2010.

Segundo Guttilla, a defesa de interesses não é um crime. “Crime é tráfico de influência, corrupção. O que fazemos é apoiar a definição estratégica e a implementação de causas de interesse público, ou issues advocacy, como essa disciplina é conhecida em inglês”, diz. “É a participação da sociedade nas causas”, ressalta o executivo.

Para Guttilla e Machado, no entanto, a aprovação de uma lei que regule as práticas de lobby não deverá ocorrer sem pressão popular, como no caso da Lei da Ficha Limpa, aprovada em 2010. “As manifestações de junho de 2013 mostram que a população quer participar das decisões, quer defender seus interesses e, com ou sem aprovação da lei do lobby, as práticas de corrupção já ultrapassaram o nível de tolerância”, avalia Machado.

Seja por meio de uma lei formal, seja por meio de manifestações populares, as práticas de acordos escusos estão ganhando a luz do dia. O lobby está a descoberto. Um brinde à democracia. E com refresco adoçado com aspartame.

Por Juliana Colombo

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