Estudo aponta causas que direcionam marcas em 2019

Abraçar um propósito vai muito além de uma campanha pontual. E se a prática precisa ser alinhada com o discurso, antes da ação está a observação. Faz parte do pacote monitorar as causas para entender o contexto e todos os seus desafios e oportunidades. Com base nessa demanda de mercado, a CAUSE, consultoria de identificação e gestão de causas, mapeou os 37 temas que devem pautar as organizações com propósito em 2019.

Veículo: Meio&Mensagem

Abraçar um propósito vai muito além de uma campanha pontual. E se a prática precisa ser alinhada com o discurso, antes da ação está a observação. Faz parte do pacote monitorar as causas para entender o contexto e todos os seus desafios e oportunidades. Com base nessa demanda de mercado, a Cause, consultoria de identificação e gestão de causas, mapeou os 37 temas que devem pautar as organizações com propósito em 2019.

O estudo está dividido em cinco grandes blocos, percorrendo as áreas de cultura, grupos identitários, meio ambiente, saúde e tecnologia. Há também dois recortes geográficos, sobre o panorama global e o cenário nacional. Nele, ganham destaque assuntos que foram pautados pela imprensa nacional e estrangeira, em 2018, contextualizados com dados coletados em órgãos oficiais e institutos de pesquisa.

“O guia é um mergulho nos assuntos que despertam o espírito crítico mas também um estímulo para nos colocarmos ao lado de organizações que têm a coragem de encarar esse momento de transformações e fazer a diferença. Esperamos que esses temas inspirem as companhias a olhar para o seu propósito sob um novo viés: o da sociedade que pulsa e demanda”, explica a CEO da Cause, Francine Lemos.

Alguns dos principais insights:

Grupos Identitários
Um dos mais delicados e potentes pilares de causas dos novos tempos, o tema destaca tópicos como a valorização da cultura indígena, ações afirmativas para combater o racismo e a redução do feminicídio. Um ponto que também merece toda a atenção é a visibilidade trans. Vale observar que, no ano passado, o STF determinou que pessoas transexuais e transgêneros podem mudar o nome no registro civil mesmo sem cirurgia de redesignação. O que esse público espera? Mais reconhecimento no mercado de trabalho. Recentemente, empresas como C&A e Carrefour ampliaram a contratação e integração de pessoas trans. Neste assunto, a pesquisa recomenda que as empresas fiquem de olho nos seguintes atores sociais: Linn da Quebrada (atriz e cantora trans), Daniela Veja (atriz trans chilena), Amara Moira (escritora, doutora em literatura e ativista) e Victor Madrigal-Borloz (jurista porto-riquenho).

Meio Ambiente
Dentro deste tópico, entre os assuntos mapeados pelo estudo estão o combate às mudanças climáticas, a poluição de oceanos e ao desmatamento, além da luta pela conservação das espécies. Destaque também para a prevenção de desastres socieambientais. Vale lembrar que, em um intervalo menor que quatro anos, o Brasil enfrentou duas tragédias envolvendo as barragens de Minas Gerais. Entre os personagens para prestar atenção estão Al Gore (ex-vice-presidente dos EUA e Prêmio Nobel da Paz), Leonardo Di Caprio (ator e ativista), Ricardo Augusto Felício (especialista da USP) e Greta Thunberg (ativista sueca).

Saúde
Outra plataforma importante da sociedade. Neste caso, o holofote das causas está em assuntos como imunização infantil, maconha para uso medicinal, bioética e a prevenção da Aids entre jovens. Outra questão que chama muita atenção no estudo é a saúde mental. Segundo a Organização Mundial da Saúde, até 2020, a depressão – que atinge mais de 320 milhões de pessoas – será a doença mais incapacitante do mundo. Entre os nomes recomendados para acompanhar nesta causa, segundo o estudo, estão Andrew Solomon (escritor), Christian Dunker (psicanalista), Demi Lovato (cantora) e Luiz Henrique Mandetta (Ministro da Saúde).

Tecnologia
Força motriz da inovação, a tecnologia puxa causas como mobilidade autônoma, regulamentação da inteligência artificial e proteção de dados. Destaque também para o acesso livre à internet. No início de 2019, a Câmara dos Deputados arquivou um projeto de lei que tornava o acesso universal à internet direito fundamental garantido pela Constituição. Os nomes para seguir no assunto, segundo a Cause, são Renata Abreu (deputada federal), Marina Pita (membro do conselho diretor do coletivo Intervozes), Sonia Jorge (diretora executiva da Alliance for Affordable Internet) e Houlin Zhao (secretário-geral da União Internacional de Telecomunicações).

Cultura
Na pauta cultural, estão em alta causas como a defesa dos mecanismos de incentivo, a preservação do patrimônio histórico, apoio a leitura e representatividade racial nas artes. Um dos tópicos mais quentes é a liberdade de expressão artística. Vale lembrar que, recentemente, a censura prévia aos espetáculos “O Evangelho Segundo Jesus”, “Rainha do Céu” e do coletivo “És Uma Maluca” gerou reações da sociedade e dos artistas. Sobre o tema, o estudo recomenda um olhar de acompanhamento em pessoa como Magno Malta (Ex-senador do Espírito Santo), Ai Weiwei (artista plástico), Sara Whyatt (especialista em advocacy) e Tania Bruguera (artista cubana).

Panorama Nacional
O estudo também propõe um recorte brasileiro de causas. Entre as mais urgentes estão a crise imigratória, segurança pública, redução da desigualdade, reforma da previdência e combate ao assédio e à corrupção. As duas últimas têm sido bastante rebatidas em campanhas de marcas nos últimos meses, casos de “Reposter” da  Skol e “Cor da Corrupção” do Reclame, apenas para dar dois exemplos. Já no recorte internacional, estão em alta causas como a crise de refugiados, multilateralismo, liberdade de imprensa, fortalecimento da democracia, nutrição e combate às fake news.

Conteúdo publicado originalmente no Meio&Mensagem