Ele tem um grande poder sobre os seus dados — e entender os impactos disso é a Causa da Semana

Facebook e Cambridge Analytica: Mark Zuckerberg depõe no Senado americano após o escândalo do vazamento de dados ( Chip Somodevilla/Getty Images)

 

Esta semana, os olhos do mundo estavam voltados para a audiência de Mark Zuckerberg no Senado americano.

Foram dois dias de depoimentos para o escândalo de violação de dados envolvendo a empresa Cambridge Analytica.

Nas semanas anteriores, as discussões estavam voltadas para o modo como o vazamento de dados e a forma como foram usados influenciaram na eleição do presidente Donald Trump.

Dessa vez, o que gerou discussão foram as perguntas dos congressistas, que pareciam não entender muito bem como a rede social funciona.

 

Em um mundo hiperconectado e com uma sociedade cada vez mais dependente da tecnologia, casos como o da Cambridge Analytica podem se tornar comuns. Ainda há dúvidas sobre as melhores formas de dar um mínimo de segurança às pessoas. Mas uma coisa é certa: não é possível criar regras para algo que não se entende.

Para levantar essa discussão, elegemos a PRIVACIDADE NAS REDES como a Causa da Semana.

Entre os momentos desconcertantes da audiência, talvez o mais emblemático tenha sido a confirmação de que, entre os congressistas, alguns não tinham ideia do modelo de negócios do Facebook.

“Então, como você sustenta um modelo de negócios no qual os usuários não pagam pelo seu serviço?”, questionou o senador Orrin Hatch.

— Nós vendemos anúncios.

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Algumas perguntas, porém, tocaram no cerne da discussão. O senador Dick Durbin desafiou Zuckerberg sobre seu nível de conforto com o compartilhamento de suas informações pessoais.

Se nem o CEO do Facebook é capaz de restringir o nível de acesso a suas informações, quem seria?

No continente europeu, a partir de maio, passará a valer um regulamento para proteção de dados que exige que as empresas de tecnologia sejam transparentes com as informações que coletam e o uso que fazem delas.

Isso é extremamente importante em um momento em que as redes sociais passam por certo descrédito. Em março, a revista Wired, uma das mais influentes no mundo da inovação, publicou uma capa icônica, com Zuckerberg nocauteado pelas críticas.

Seja qual for a saída para assegurar um mínimo de segurança aos usuários, sobre uma coisa não restam dúvidas: não há como limitar o uso dessas tecnologias.

O que o episódio de Zuckerberg no Senado evidencia é que boa parte da sociedade — inclusive os que deveriam zelar pelo bom funcionamento da democracia — simplesmente não entendem o impacto das redes na vida moderna.

Precisamos, todos, ser melhores do que certos congressistas americanos.

Cause

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