Educação Brasileira: entre o desenvolvimento e o atraso

Nesta semana a educação brasileira teve um ótimo motivo para comemorar, mas também razões para ficar sob alerta.

A boa notícia é que a professora de escola pública Débora Garofalo foi anunciada como uma das finalistas do prêmio Global Teacher Prize, considerado o Nobel da Educação.

Mas o Ministro da Educação também falou de indícios de corrupção e desvios em programas da pasta, com suspeitas de concessão ilegal de benefícios e irregularidades em universidades federais.

Para valorizar os professores que estão fazendo a diferença e estimular a transparência e o investimento no ensino, a  #CausaDaSemana é por uma #EducaçãoDeQualidade.

Débora Garofalo é professora de uma escola pública de São Paulo e foi selecionada entre mais de 10 mil candidatos para concorrer ao Global Teacher Prize, que tem prêmio de 1 milhão de dólares.

Confira sua entrevista para Fundação Varkey, na qual conta como o seu projeto de robótica já ajudou a tirar mais de 1 tonelada de lixo das ruas de São Paulo.

Infelizmente, nem tudo é boa notícia. Estima-se que a Lava Jato da Educação deve revelar desvios de pelo menos R$ 4 bilhões. Enquanto isso, o Supremo decide se o dinheiro das multas de delações premiadas podem ser investidas na educação básica.

Nesta semana, o MEC também paralisou a discussão de um plano para formação do professor. O projeto previa que os futuros professores tivessem, desde o primeiro semestre da faculdade, atividades práticas em escolas.

A diretora do Centro de Excelência e Inovação da FGV, Cláudia Costin, vê com naturalidade a revisão dos projetos, mas se preocupa com o tempo que pode levar a reforma, pois o Brasil, segundo ela, “já está muito atrasado em políticas docentes em relação a outros países”.

Por falar em atraso, o governo vai criar uma comissão especial para fazer uma análise do banco de questões do ENEM. A intenção é anular itens com “‘ideologia de gênero”.

Os especialistas já temem que questões que promovam de alguma forma a igualdade sejam encaradas pelo governo como “doutrinação”.

Achou pouco? Pois não é só isso, um novo projeto do Escola Sem Partido tramita na Câmara.

Enquanto isso, o Brasil ignora problemas muitos mais urgentes, como os 11,5 milhões de analfabetos no país, para quem há pouca proposta de solução.

Resta cobrar das autoridades ações mais objetivas e um olhar mais atento para pessoas como a professora Débora, que continuam encontrando caminhos para a transformação da sociedade em tempos que o objetivo parece ser levar o país a discutir o atraso, e não o desenvolvimento.

Cause

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