Diversidade é bom pra todo mundo? Polêmica do Google mostra que nem todos concordam – mesmo em 2017

Sede do Google no Vale do Silício: políticas de diversidade como estratégia de negócios (Crédito: Getty Images)

No mundo dos negócios, o Google é um exemplo a ser seguido em matéria de políticas de diversidade. Eis que, na última semana, um comentário de um funcionário contrário às ações de inclusão mostrou que as boas práticas não são unanimidade.

Dada a repercussão gerada pelo caso, elegemos a diversidade nas empresas como a Causa da Semana.

A crítica veio a público no sábado (5) numa reportagem do site Gizmodo. Em carta anônima, o funcionário argumenta que “as habilidades de homens e mulheres são diferentes em parte devido a causas biológicas, e que essas diferenças podem explicar por que não vemos uma representação igual de mulheres na tecnologia e em liderança”.

Nem a inclusão de minorias foi poupada. “Quando começarmos a moralizar um problema, deixamos de pensar nisso em termos de custos e benefícios, descartando qualquer um que discorde e colocando-os como vilões para proteger as ‘vítimas’”, escreveu o autor.

A carta gerou uma resposta da nova diretora de diversidade do Google, Danielle Brown. Em e-mail interno, divulgado pelo site Motherboard, ela disse que o texto “não representa o ponto de vista que ela e a companhia defendem, promovem e incentivam”.

No domingo (7), o responsável pela carta veio a público. Em entrevista à Bloomberg, o engenheiro de software James Damore afirmou ter sido demitido por “perpetuar estereótipos de gênero”.

A polêmica esquentou na segunda-feira (8), quando Julian Assange, fundador do WikiLeaks, anunciou que está disposto a oferecer um emprego ao engenheiro. “Censura é para perdedores. Wikileaks está oferecendo um emprego para o engenheiro demitido do Google, James Damore”, afirmou Assange, em sua conta no Twitter.

Antigamente, situações como essas eram resolvidas internamente, sem que suas consequências ameaçassem a reputação das empresas. Felizmente, não é mais assim. A rápida resposta do Google é reflexo de uma era em que o respeito à diversidade virou consenso.

Não se trata apenas de responsabilidade social: de acordo com relatório da McKinsey, empresas com mais diversidade em seus quadros executivos tiveram melhores resultados financeiros entre 2008 e 2010. Anualmente, o ranking Global Diversity List divulga as empresas que se destacam por atuar contra a discriminação por gênero, cor da pele e orientação sexual no ambiente de trabalho.

Seja pela consciência social ou pela preocupação econômica, as tendências atuais mostram que empresas que mantiverem um pensamento como o do engenheiro James Damore correm o risco não só de ir contra a corrente, mas de não acompanhar o crescimento das companhias inovadoras que se propõem a pensar a diversidade em seus quadros de funcionários. 

Cause

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