Descuidos ambientais

Crédito: EBC/ Alan Santos/PR


No encontro que reuniu as 20 maiores potências do mundo, realizado na última semana, o Brasil voltou a estar em evidência nas discussões,
mas não por boas razões

Apesar de já termos comentado sobre a situação do meio ambiente no país recentemente, o tema de hoje não poderia ser outro. Por isso, elegemos a importância do INCENTIVO ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DE PROTEÇÃO AMBIENTAL como a #CausaDaSemana.

No encontro do G20, o Brasil foi alvo de críticas por parte de duas grandes potências, Alemanha e França, que resolveram mandar recados claros ao atual governo do país quando temas ambientais foram discutidos.

O porta-voz do governo Francês declarou que o país só irá ratificar o acordo entre União Europeia e Mercosul, um dos pactos mais importantes fechados no evento, se o Brasil respeitar seus compromissos com o desmatamento

Poucas horas antes, Emmanuel Macron já havia declarado que não assinaria nenhum acordo com o Brasil, caso o governo brasileiro resolvesse desistir do Acordo de Paris, que possui uma série de compromissos para o combate às alterações climáticas.

A chanceler alemã, Angela Merkel, antes mesmo de embarcar para o encontro de lideranças, havia descrito como “dramática” a situação do meio ambiente no governo de Jair Bolsonaro.

Os alemães também decidiram reter R$ 151 milhões que seriam repassados ao Fundo Amazônia, criado em 2008 para ajudar na prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento da floresta.

A Noruega também já declarou estar descontente com as mudanças que aconteceram no projeto. O país responde por 94% das doações totais feitas ao programa brasileiro, com cerca de R$ 3,4 bilhões investidos em ações de proteção da floresta.

Os dois países admitiram a hipótese de extinção do projeto, o que pode causar a interrupção de estudos que analisam a saúde das florestas e estimulam a produção sustentável, além da colaborarem com o combate ao desmatamento. 

Em seu último levantamento, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) aponta que o desmatamento na Amazônia, em junho, foi  57% maior, se comparado ao registrado no mesmo período de 2018.

O aumento tem deixado ambientalistas apreensivos com o que pode ocorrer neste mês, já que julho tem uma tendência histórica de aumento nos números de desmatamento. Alguns deles já alertam para a possibilidade de ser irreversível a destruição das florestas caso a conduta de políticas ambientais não mude.

Enquanto isso, está aberto para consulta pública o Projeto de Lei (PL) nº 2362, que prevê o fim das Reservas Legais e, caso seja aprovado, pode ser o responsável pelo desmatamento de 167 milhões de hectares da vegetação nativa.

Para os especialistas, o PL cria uma sucessão de brechas para a exploração de reservas de forma não sustentável e usa como argumento uma suposta violação ao direito à propriedade, para que ruralistas não sejam obrigados a assumirem um compromisso com a preservação das florestas em nome de um suposto “desenvolvimento”.

O que esqueceram de contar aos defensores do PL é que já há provas de que não existe desenvolvimento sem conservação da natureza e que, ao contrário do que eles pensam, o desmonte do meio ambiente tem tudo para prejudicar a economia do Brasil.

É preciso renovar o compromisso do Brasil com as soluções sustentáveis, para que as gerações futuras não precisem pagar a conta. Vote contra o fim das Reservas Legais.

Cause

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