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Crítica social foi a trilha do Carnaval 2020

Carnaval é tempo de festa, mas também de manifestação política, e na última semana não faltaram exemplos da combinação dessa dupla

A Mangueira resolveu contar a história de um Jesus popular, nascido na favela, com “rosto negro, sangue indígena e corpo de mulher”, mas a representação feita pela escola de samba não deixou de causar indignação de grupos conservadores e, por outro lado, aprovação dos mais progressistas.

A escola Acadêmicos da Grande Rio também resolveu tocar em temas religiosos. O samba-enredo contou a história de Joãozinho da Gomeia, figura que ajudou a popularizar o candomblé e tornou-se um símbolo de tolerância religiosa. 

Já a Viradouro, campeã do Carnaval no Rio, deu destaque para a história da mulher negra ao falar das ganhadeiras de Itapuã, que lavavam roupa na Lagoa do Abaeté e faziam outros serviços para comprar a alforria.

Fora dos sambódromos, a crítica social também se fez presente. Teve fantasia com crítica ao desastre com o óleo no litoral e marcas assumindo compromissos com a causa da diversidade, contra a homofobia e o assédio sexual.

O Carnaval foi pensado para subverter a lógica da cidade e promover a ocupação do espaço público. A crítica social também sempre esteve em seu âmago, assim como a sátira e seu alto teor político. Se, atualmente, há dias em que o Congresso nos causa desesperança, por que não aproveitar para, pelo menos durante essas semanas, poder rir com ela.

Em uma festa que reforça a identidade do povo brasileiro e esteve na avenida e nas ruas para falar sobre representatividade, força da mulher e reparações históricas, fica óbvio que os maiores incomodados sempre serão aqueles pouco abertos ao que lhes é minimamente diferente. Vida longa ao Carnaval.

Cause

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