Conheça os números da epidemia social que envergonha o Brasil


Nesta semana, o novo relatório da ONG Humans Rights Watch, sobre direitos humanos, classificou como uma epidemia a situação da violência doméstica no Brasil.

A falta de investigação adequada da polícia e de investimento em sistemas de proteção, colaboram para o quadro alarmante.

Para dar destaque a um crime que ainda tem altas taxas de subnotificação, escolhemos como a #CausaDaSemana o #CombateàViolênciaDoméstica

Só nos 11 primeiros dias do ano, 5 mulheres foram agredidas a cada 24 horas no Brasil.  Vale lembrar que, em 2017, o Brasil foi responsável por 40% dos feminicídios de toda a América Latina.

Falando nisso, essa é a região mais letal para as mulheres. Mas os canais de denúncia ainda são poucos.

No começo da semana, o projeto que autorizava o funcionamento em tempo integral das Delegacias da Mulher em São Paulo foi vetado. O projeto foi considerado inconstitucional pelo governador.

Enquanto isso, o número de abrigos para mulheres ameaçadas pela violência doméstica continua caindo. Apenas entre 2017 e 2018, 23 abrigos foram fechados por cortes no orçamento.

Um estudo mostrou que a situação de violência ainda tende a piorar se o agressor tem uma arma em casa.

Em um artigo publicado no jornal El País, a antropóloga Debora Diniz e a cientista política Giselle Carino, alertam para os perigos da flexibilização do porte de armas.

“Se, hoje, há casos em que as mulheres sobrevivem à tentativa de feminicídio é porque o instrumento de violência foi de menor letalidade. Em caso de uso de armas, as chances de uma mulher sobreviver são muito mais rara”, apontam.

A aposta tem sido cada vez mais nas gerações futuras. Três estudantes de Minas Gerais desenvolveram um aplicativo para ajudar mulheres que estão vivendo situações de abuso e violência.

Enquanto isso, várias campanhas no último ano tem tentado mobilizar cada vez mais pessoas a favor do combate à violência doméstica.

O vídeo da ONG This Life Cambodia é um exemplo deste movimento. A produção teve mais de 1 milhão de visualizações. No país, as mulheres possuem mais chances de serem mortas em casa, pelos próprios companheiros, do que em qualquer outro lugar.

A associação Pathway Project também viralizou depois de relacionar a violência doméstica aos resultados do placar de uma partida de futebol.

Falando em esporte, os maiores times de futebol de São Paulo acabaram de se reunir para promover o programa Tem Saída da prefeitura da cidade.

O projeto tem enfoque na autonomia financeira das vítimas de violência doméstica e oferece novas oportunidades de inserção no trabalho.

Governos de todo o mundo também já estão tentando fazer sua parte.

A Inglaterra lançou no final do ano passado, uma campanha a favor do combate à violência, celebrando o White Ribbon Day. O movimento internacional luta para acabar com as agressões de homens contra mulheres.

O Governo da Austrália decidiu não ficar para trás e também lançou uma vídeo com o intuito de reduzir o número de casos de violência.

Mas houve também quem retratasse o tema de forma diferente, utilizando poemas!

Com diversas formas e intensidade, a violência contra a mulher tem sido um problema no mundo todo.

Especificamente no Brasil, apesar de serem maioria no sistema eleitoral e no ensino superior, as mulheres ainda enfrentam uma série de recuos na luta pelos seus direitos mais básicos.

A perspectiva é que daqui para frente não seja diferente.

Em meio a retrocessos, falta de investimento e investigações mais profundas, é necessário ter em mente que a mudança sempre começa no hoje e que sempre podemos ser parte crucial da transformação que queremos ver.

Cause

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