A Causa da Semana vem do Rio, e infelizmente não tem a ver com a alegria do Carnaval

Ato da ONG Rio de Paz: manifestantes cobram responsabilidade coletiva do poder público e da sociedade (Crédito: Divulgação)

Às vésperas do carnaval, a cidade do Rio de Janeiro viveu uma semana de tensão.

Na quarta-feira (07), a Cidade de Deus, na zona oeste, e outras comunidades da região metropolitana foram ocupadas em ação integrada entre as Forças Armadas, a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária e a Polícia Civil. A ação foi motivada pela morte de Emilly, de 3 anos, durante um assalto e de Jeremias, de 13, em uma ação policial.

Ao menos 38 foram detidos. As aulas foram paralisadas em 48 escolas. O objetivo era prender dez chefes do tráfico nessas comunidades. Nenhum deles foi preso. Especialistas questionam esse tipo de operação que amedronta comunidades e muitas vezes terminam com a morte de civis.

A ONG Rio de Paz estendeu faixa no Cristo Redentor pedindo desculpas às vítimas que deram início à ocupação.

 

A crise da cidade não é nova – tampouco é um um problema exclusivamente carioca. Por isso, elegemos a Segurança Pública como a Causa da Semana.

O problema está longe de ser exclusivamente fluminense. “Veja o exemplo do Nem. Ele está preso a 5 mil quilômetros do Rio, em um presídio de segurança máxima de Rondônia, e, ainda assim, é capaz de declarar uma guerra na Rocinha.”, analisou o ministro da Defesa, Raul Jungmann, durante evento promovido pela Polícia Militar do Rio de Janeiro e o Viva Rio na última terça-feira (30).

Jungmann atribuiu a crise ao fato de a segurança pública ficar quase que inteiramente a cargo dos estados, cabendo ao governo federal apenas o controle das polícias Federal e Rodoviária Federal. Somado a isso, há a grave situação do sistema carcerário.

A tese é reiterada por Ilona Szabó, Diretora-executiva do Instituto Igarapé, que trata do tema da segurança pública. Para ela, resolver problema das prisões brasileiras é tarefa central contra criminalidade.

Problemas complexos como esse envolvem soluções transversais. Em artigo ao El País, César Muñoz Acebes, pesquisador da Human Rights Watch Brasil, defende uma solução que passe por uma reforma da política de combate às drogas, violência policial e, acima de tudo, medidas pautadas por evidências, não discursos simplistas.

Seja qual for a solução, um ano de eleições é momento oportuno para debater um problema que se arrasta há tanto tempo no país.   

Cause

Somos um time multidisciplinar de profissionais das áreas de Administração, Antropologia, Ciência Política, Design, Gestão Pública, Jornalismo, Relações Públicas e Publicidade. Propomos um olhar integrado a partir dessas competências para promover as causas em que acreditamos.