Brincando com o fogo

O meio ambiente no Brasil está em cheque. A notícia não é nova, como tratamos na semana passada, mas as reações às queimadas que vêm ocorrendo na Amazônia sim e têm trazido ventos de esperança para o que já está encoberto pela fumaça.

Em vista da comoção mundial sobre o tema, destacamos a Mobilização pela Amazônia como a #CausaDaSemana.

Um dos estopins para a agitação foi a nuvem que encobriu São Paulo na última segunda-feira. Carregada de partículas das queimadas, as nuvens carregadas de fuligem resultaram em uma chuva negra em alguns pontos da cidade.

Os debates sobre as causas desse fenômeno extrapolaram as redes sociais, a imprensa e até mesmo as fronteiras brasileiras. Mobilizadas pela indignação referente à maneira com a qual o poder público brasileiro vem tratando a situação, manifestações devem ocorrer em pelo menos 40 cidades do Brasil, além de municípios na Europa e Ásia.

A movimentação é uma mostra de como as redes sociais têm colaborado para o engajamento em várias partes do mundo. #PrayforAmazonas foi a hashtag mais distribuída no twitter mundialmente e, até o momento, uma petição online já possui mais de 8,3 milhões de assinaturas a favor de um movimento para salvar a floresta.

Coincidência ou não, tudo isso acontece durante a realização da Semana do Clima e a divulgação de novos números do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os dados mostram um aumento de 82% na quantidade de queimadas de janeiro e agosto deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado.

Nessa semana, já havia sido assinado um alerta ambiental pelo governador do Acre devido aos efeitos provocados por incêndios nas matas do Estado. Para se ter ideia, nos primeiros 12 dias de agosto, 468 focos de incêndio foram registrados na capital Rio Branco. Os sinais, de fumaça inclusive, já estavam todos ali.

Como não é novidade, sobrou para as ONG’s. Mas já é fato, ao contrário do que o presidente do país diz, as queimadas têm como origem, principalmente, ações humanas que desejam abrir espaço na floresta

Mas se o objetivo era gerar renda, o tiro saiu pela culatra. O presidente francês, Emmanuel Macron, já declarou se opor ao acordo entre União Europeia e Mercosul, estabelecido recentemente depois de aproximadamente 20 anos de negociação, por conta da aparente falta de compromisso com o meio ambiente por parte do presidente brasileiro.

A crise ambiental no país deve ser ainda um dos principais assuntos na pauta do G7. Enquanto isso, as convocações de boicote a produtos do Brasil começam a se espalhar cada vez mais rápido.

Mas nem tudo está perdido, o Ministro do Meio Ambiente brasileiro pareceu acordar para a necessidade de uma Força-Tarefa Pró-Amazônia reunindo diversos setores da sociedade. Basta saber se, de fato, o engajamento em torno dessa causa terá resultado positivo.

O que também preocupa é que os dados científicos, incluindo os que apontam aumento de desmatamentos e queimadas na Amazônia, valem quase nada para as autoridades. Grande parte de seus pronunciamentos são embasados em teorias conspiratórias. O que se percebe, hoje, é que elas brincam com o fogo e queimam o filme do país no cenário mundial. 

Cause

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