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Até quando culparemos o mensageiro?

No início desta semana, o Ministério Público Federal (MPF) denunciou o jornalista Glenn Greenwald acusando-o de ser responsável por incentivar e orientar atividades de hackers que invadiram celulares de autoridades em junho do ano passado. Os áudios e mensagens divulgados por ele colocavam em dúvida a imparcialidade dos envolvidos nos julgamentos da Lava Jato.

O assunto foi tema da nossa #CausadaSemana na época, abordando as consequências para sociedade da parcialidade da justiça

De lá para cá, pouca coisa mudou. Os ataques à liberdade de imprensa no Brasil cresceram mais de 50%, segundo a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), e o Brasil caiu três posições no ranking de liberdade de imprensa, ocupando o 105º lugar entre 180 países. 

Enquanto isso, as discussões sobre ética, legalidade e o papel dos agentes para o bom funcionamento das instituições continua sendo deixado em segundo plano. Escolhemos, mais uma vez, “atirar no mensageiro e ignorar a mensagem”, como o jornal The New York Times resumiu o caso de Glenn.

A liberdade de imprensa é um pilar essencial para a democracia. O erro aqui está em achar que o jornalismo foi feito para agradar, enquanto a profissão tem como princípio básico revelar fatos de interesse público – e do público -, expor contradições e gerar debates nas diversas esferas sociais.

A impressão que fica, é que tem faltado à justiça algo que também é imprescindível ao jornalismo: neutralidade. E assim, corremos cada vez mais o risco de que ela, por si mesma, se torne uma ameaça ao Estado Democrático de Direito.

Cause

Somos um time multidisciplinar de profissionais das áreas de Administração, Antropologia, Ciência Política, Design, Gestão Pública, Jornalismo, Relações Públicas e Publicidade. Propomos um olhar integrado a partir dessas competências para promover as causas em que acreditamos.