A tecnologia está de novo no centro do debate eleitoral. O que isso significa?

Casos de vazamento de dados dos usuários de redes sociais acenderam o alerta da importância da nossa privacidade em 2018.

Agora, às vésperas do segundo turno das eleições brasileiras, um novo e importante capítulo dessa história se abre.

As revelação de que empresas contrataram pacotes de disparo em massa para espalhar mensagens contra o PT no Whatsapp levanta a questão sobre a responsabilidade das empresas digitais na divulgação de informações falsas.

Por isso, nossa Causa da Semana é TECNOLOGIA PARA A DEMOCRACIA.

Nesta sexta, o WhatsApp notificou as agências que ofereciam os pacotes de disparo de mensagens e baniu contas associadas a elas. O senador eleito do Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro, filho do candidato a presidente Jair Bolsonaro, teve a sua conta no aplicativo bloqueada.

A informação divulgada pela Folha de S. Paulo faz lembrar a acusação da justiça americana de fevereiro deste ano de que informações falsas que tiveram a sua divulgação patrocinada por empresas estrangeiras influenciaram tanto as últimas eleições presidenciais dos Estados Unidos como a votação pela saída do Reino Unido da União Europeia.

Nesta quarta, o Twitter divulgou um pacote com milhões de tweets, imagens e vídeos de perfis ligados à Rússia e ao Irã que divulgaram discursos feitos para manipular as forças políticas e sociais dos EUA. A intenção da rede social é encorajar análises feitas por pesquisadores e jornalistas independentes.

Enquanto isso, o Facebook montou uma sala de guerra para monitorar as notícias falsas que estão circulando em suas redes a respeito da nossa eleição presidencial. A equipe é composta por cientistas de dados, programadores e especialistas nas políticas da rede social e analisa as postagens, conseguindo responder rapidamente a conteúdos que incitem a violência ou espalhem informações falsas.

Ainda que essa seja uma resposta à crise que tanto atrapalhou a eleição americana, talvez ela não tenha a mesma eficácia no Brasil. A ferramenta principal de desinformação no nosso pleito é o WhatsApp, onde o monitoramento é muito mais difícil. As mensagens trocadas pela rede são criptografadas de ponta a ponta e não há acesso aos grupos.

“Desta vez, não temos um algoritmo para culpar, como foi na eleição dos EUA. Não há um mecanismo tecnológico de recompensa amparado em emoções. Temos, na verdade, uma multidão invisível de perfis que não sabemos ser reais ou não nem para quem trabalham”, disse Tai Nalon, diretora do Aos Fatos, para reportagem da Vice.

Inovações sempre trazem benefícios e perigos originalmente imprevistos por seus criadores. Não há como evitar. Mas é urgente a necessidade de responder aos riscos trazidos por elas e fazer o possível para contê-los.

Cause

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