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A gente não quer só comida

Nesta terça-feira, 17, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou novas regras para o uso de gorduras trans industriais em alimentos. A expectativa é que o ingrediente seja banido completamente das prateleiras até 1º de janeiro de 2023. A medida é um sinal de que o país está avançando finalmente para hábitos mais saudáveis?

O banimento da gordura trans não é uma novidade e já vem ocorrendo em várias partes do mundo desde 1990. Com a aprovação da medida, o Brasil se torna o 50º país a adotar restrições.  

O impacto da implantação, no entanto, não deve respingar nas grandes empresas, mas na vida de pequenos produtores, já que a gordura trans é mais barata do que seus substitutos, mas ruim para seus consumidores, pois aumenta o risco de doenças cardíacas em 21% e as mortes em 28%.

A desnutrição crônica ainda é um problema grave no Brasil, principalmente nos grupos mais vulnerabilizados, como indígenas, quilombolas e ribeirinhos. Segundo o Ministério da Saúde, em 2018, a prevalência de desnutrição crônica entre crianças indígenas menores de 5 anos era de 28,6%. Os números variam entre etnias, alcançando 79,3% das crianças ianomâmis. Mas a má nutrição, é importante destacar, possui outro lado além da fome: o da obesidade.

No Brasil, uma em cada três crianças de 5 a 9 anos possui excesso de peso. O cenário para os adolescentes não é diferente. 17,1% dos jovens estão com sobrepeso e 8,4% são obesos. Os dados só deixam mais evidente a incapacidade do país de fornecer uma alimentação saudável, segura e com preços acessíveis a todos.

Exemplo disso é que, até o momento, os países de maior renda são os que têm liderado os esforços políticos para que as gorduras trans sejam erradicadas. Nenhum país de baixa renda e apenas três países de renda média-baixa têm políticas anti-gorduras trans.

Ao olhar para a realidade brasileira hoje, temos mais problemas de saúde relacionados aos maus hábitos alimentares e, apesar dos avanços, muitas pontas soltas. 

Não sabemos, afinal, qual será o item substituto utilizado pelas empresas. Vamos trocar seis por meia dúzia? As mudanças vão permitir  acesso à alimentação de qualidade para todos? Essas são algumas das questões que ainda estão longe de estarem claras.

É preciso pensar na alimentação não só como um grupo de nutrientes, mas como uma forma de ter mais qualidade de vida e de identificação com a cultura. E para que isso aconteça, as soluções passam por expandir os programas de proteção social, para que toda a população possa ter comida de qualidade à mesa. 

Precisamos de um compromisso claro também com as políticas públicas que devem ir além do prato de comida, mas também com a promoção da atividade física. Só assim, começaremos a caminhar em direção a uma solução diante dos vários problemas que a má nutrição traz para o desenvolvimento do Brasil.

Cause

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