A Causa da Semana é um retorno a um momento sombrio da nossa história

Vladimir Herzog: jornalista assassinado no dia 25 de outubro de 1975, durante o regime militar (Crédito: Reprodução)

Um documento divulgado na última semana pela CIA sobre a ditadura militar brasileira deu o que falar.

No memorando, de 1974, o ex-diretor da CIA William Colby afirma que o ex-presidente Ernesto Geisel soube do assassinato de 104 opositores políticos e autorizou a continuidade das execuções.

A revelação vem em um momento em que militares têm tido uma grande participação na agenda política — a exemplo da intervenção no Rio de Janeiro e de representantes do Exército pleiteando cargos políticos.

Para que esse resgate ajude a olhar com criticidade os fatos do presente, elegemos IMPORTÂNCIA DA MEMÓRIA HISTÓRICA como a Causa da Semana.

Na segunda-feira (14), o Ministério das Relações Exteriores (MRE) informou que a embaixada do Brasil em Washington solicitou nesta segunda-feira a liberação completa dos documentos produzidos pela CIA sobre operações de tortura e morte de brasileiros durante a ditadura.

A solicitação contempla pedido feito na sexta-feira (11) por Ivo Herzog, filho do jornalista Vladimir Herzog, assassinado durante o período militar, ao ministro das Relações Exteriores.

Mais do que o teor do documento, a sua divulgação joga luz sobre informações que até hoje não foram divulgadas.

Para Elio Gaspari, autor de cinco livros sobre o regime militar, a divulgação do documento “avacalha os 40 anos de política de silêncio que os comandante militares cultivam em relação às práticas da tigrada dirigida pelo Centro de Informações do Exército, o CIE”.

Desde o fim do regime, em 1985, há uma busca por documentos oficiais do período, em especial após a instauração da Comissão da Verdade.

A resposta do comando do Exército é de que esses materiais teriam sido destruídos.

Em um ano de eleições, é bom considerar que, se por um lado é legítima a participação de representantes do Exército, por outro, como colocou Matias Spektor, pesquisador responsável pelo resgate dos documentos, em coluna na Folha de S. Paulo, “quanto mais adentrarem a arena eleitoral, maior será o escrutínio que atrairão para o presente e para o passado da corporação”.

No final, se soubermos usar os erros do passado para balizar ações positivas daqui para frente, ganha a sociedade e a democracia brasileira.

Cause

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