5 causas que agitaram o Oscar 2018

90ª edição do prêmio, que aconteceu no domingo, trouxe à tona os temas mais engajadores do momento

Quem esperava um tapete vermelho repleto de celebridades vestidas de preto, como aconteceu no Globo de Ouro, ficou decepcionado.

Mas foi só a cerimônia do Oscar começar no Teatro Dolby, em Los Angeles, para que o tom engajado ganhasse contornos claros: o prêmio mais importante do cinema não teria como fazer vista grossa para as causas que chacoalharam a temporada.

Diferentemente de outros anos, o protesto não estava só presente nos discursos dos vencedores. Da escolha dos apresentadores às piadas do anfitrião, Jimmy Kimmel, tudo parece ter sido pensado para contemplar a diversidade.

A seguir, destacamos as 5 causas que fizeram o Oscar chegar aos 90 anos mais conectado do que nunca ao espírito do tempo.

1_ Fim do assédio

O escândalo envolvendo Harvey Weinstein, produtor acusado de abusar sexualmente de atrizes, modelos e funcionárias, gerou uma forte reação em Hollywood.

A principal delas foi a criação do movimento Time’s Up, que resultou num fundo de apoio às vítimas de abuso que já arrecadou mais de 20 milhões de dólares.

Durante o Oscar, as atrizes Salma Hayek e Ashley Judd (que acusaram Weinstein de assédio) se juntaram à também atriz Annabella Sciorra para falar do Time’s Up e apresentar um clip sobre essa e outras iniciativas de contestação.

2_ Igualdade de oportunidades

Se acabar com a cultura do assédio ainda é uma questão em Hollywood, quem dirá colocar homens e mulheres em pé de igualdade.

Essa foi a denúncia da vencedora do Oscar de Melhor Atriz, Frances McDormand (Três Anúncios Para Um Crime).

Em um discurso energizante, ela convidou as mulheres indicadas em todas as categorias a se levantar e convocou a indústria do cinema: “ajudem-nos a tirar nossos projetos do papel.”

3_ Integração cultural

Em meio aos acenos nacionalistas do presidente Donald Trump, o Oscar foi uma prova de que a cultura e o cinema são capazes de derrubar muros.

Na noite em que Viva, A Vida É Uma Festa foi consagrada com dois prêmios (Melhor Animação e Melhor Canção Original) ao levar às telas a história do Dia dos Mortos, uma tradição mexicana, o também mexicano Guillermo del Toro fez um discurso contra a segregação ao vencer o prêmio de Melhor Direção, por A Forma da Água.

4_ Diversidade e visibilidade

O tema da diversidade esteve presente em diversos momentos no Oscar 2018. Me Chame Pelo Seu Nome, trama sobre um romance homoafetivo que tem um brasileiro entre seus produtores, recebeu 4 indicações e levou um prêmio de peso — o de Melhor Roteiro Adaptado.

Mas foram os chilenos os maiores responsáveis por chamar a atenção para a diversidade. Uma Mulher Incrível, que conta a história de uma garçonete transexual às voltas depois da morte de seu namorado, levou o troféu de Melhor Filme Estrangeiro.

Uma Mulher Incrível foi o primeiro longa-metragem estrelado por uma atriz transexual a levar um Oscar. Daniela Vega também foi uma das apresentadoras da noite.

Além dela, o cineasta Yance Ford foi o primeiro diretor trans a ser indicado a um prêmio, pelo documentário Strong Island, que conta a história do assassinato do seu irmão, no início dos anos 90.

5_ Acessibilidade

Um tema menos badalado, mas nem por isso menos importante, chamou a atenção de quem assistiu à premiação de Melhor Curta-Metragem.

A categoria foi vencida por The Silent Child, que descreve as dificuldades de integração de uma criança surda num mundo em que a comunicação é baseada em sons.

O filme foi estrelado por uma atriz-mirim surda, Maisie Sly. Em seu discurso de premiação, a roteirista se comunicou em linguagem de sinais, num dos momentos mais emocionantes da noite.

 

Cause

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