Espécies em risco e mudanças climáticas estão em segundo plano no Brasil. Por quê?

Nesta semana, a ONU lançou um relatório fazendo um alerta: um milhão de espécies podem ser extintas por causa do impacto da ação humana e o Brasil não ficou fora da lista.

Mas essa não foi a única notícia ruim. Por aqui, o bloqueio de 95% da verba para o clima, anunciado pelo Ministério do Meio Ambiente, coloca em xeque os esforços do país para fazer frente a um dos grandes desafios do futuro próximo.

Para destacar a importância e a necessidade urgente de discutir as políticas ambientais do país e seus investimentos, escolhemos a PROTEÇÃO DO MEIO AMBIENTE como a #CausaDaSemana.

O estudo da ONU mostra que o meio ambiente está sendo degradado a uma velocidade sem precedentes e com “um impacto devastador, seja em terra, nos mares ou no céu”.

Só no Brasil, em 10 anos, mais de 700 espécies nativas entraram para a lista de animais sob ameaça de extinção.

Enquanto a notícia se espalhava, diversos cortes eram feitos no Ministério do Meio Ambiente. Os investimentos da pasta contra o aquecimento global foram os mais afetados. Dos R$ 11,8 milhões previstos para a reduzir de emissões, restaram menos de R$ 600 mil.

Para alguns, a medida pode ser considerada uma consequência de como o tema tem sido encarado pelo governo: como uma discussão política baseada na negação de evidências científicas.

A redução de verbas também deve afetar o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade – que cuida das unidades de conservação florestal – e o Ibama, que licencia, fiscaliza, monitora e autoriza o uso de recursos naturais e mecanismos de controle ambiental.

As alterações voltaram a colocar em pauta também as normas para o licenciamento ambiental do país. Mais de 80 ONGs ligadas à área do meio ambiente divulgaram uma nota de repúdio à votação do Projeto de Lei (PL) que altera suas regras.

O medo é que a PL, que extingue a necessidade de autorização para boa parte das atividades agropecuárias e empreendimentos de infraestrutura, seja aprovada sem uma discussão.

Depois de tragédias como o rompimento das barragens em Mariana e em Brumadinho, a luta das ONGs é para que as regras do licenciamento ambiental do Brasil sejam tema de um amplo debate.

As medidas levaram vários ex-ministros da área a assinarem um manifesto criticando as políticas. Para eles, as ações podem enfraquecer os órgãos de fiscalização e prejudicar a preservação do meio ambiente.

As notícias não deixam dúvida que está na hora de nos comportarmos “como se a casa estivesse pegando fogo” – como alertou a ativista Greta Thunberg em discurso na cidade de Davos. Como em qualquer incêndio, não é possível resolver o problema sozinho.

É preciso ter consciência de que a preservação do meio ambiente vai muito além de apagar as luzes ou fechar as torneiras de casa. É preciso fazer mais e lembrar as autoridades que a conta por tamanho descaso será amargamente paga pelas futuras gerações.

Cause

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